segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Hole's Kidman.


  E o filme escolhido para hoje é "Rabbit Hole", que rendeu à Nicole Kidman a indicação ao Oscar 2011 de Melhor Atriz, em que o título em português é "Reencontrando a Felicidade" do diretor John Cameron Mitchell.
  Narra-se aqui a estória do casal Rebecca Cobertt (Nicole Kidman) e Howie Cobertt (Aaron Eckhart) que perdeu seu filho Danny (Phoenix List) há 8 meses, e por isso freqüentam um grupo de apoio, liderado por Gaby (Sandra Oh), a fim de superarem essa perda.
  Toda essa situação, o início de uma estranha amizade entre Becca e Jason (Miles Teller), assassino de Danny, Howie exigir que as lembranças do seu filho não sejam apagadas, embora continue sua rotina diária normalmente, a frigidez da personagem de Nicole, a falta de apetite sexual na relação, a necessidade de apoio emocional fora do casamento, enfim, é em uma tremenda pilha nervos à flor da pela, prestes a explodir, que esse filme se desenrola até o seu desfecho.
  Nicole, em sua brilhante carreira, recebe mais uma indicação ao Oscar de Melhor Atriz, como também recebeu a mesma indicação para filmes de drama no Globo de Ouro desse ano. Kidman, é sem dúvida, uma das minhas atrizes hollywoodianas favoritas. Além dela, só Meryl Streep. Enfim, com pouca maquiagem e sem imagens sensuais, ela dá à sua personagem Becca um tom psicológico e cruel de uma mãe que perde seu filho, perdoa o assassino dele e não comparece com seus direitos e deveres de esposa. E embora, Natalie seja favorita ao prêmio, a intérprete da senhora Cobertt, ganha enormes pontos ao seu favor na disputa. Longe de sua interpretação de Virginia Woolf, em "As Horas", personagem que lhe rendeu a vitória nessa mesma categoria no ano de 2003, pode-se ver semelhanças na interpretação, embora, como já mencionei, as personagens se diferenciem bastante em sua essência. As semelhanças ficam na carga dramática e intensidade de sentimentos que Nicole transparece em suas personagens mais sofridas. Além é claro de nos convencer de que não culpa de forma alguma o jovem Jason por ter atropelado seu pequeno filho. A amizade entre os dois é tão natural e verdadeira, que mesmo o telespectador presenciando o sofrimento do casal Cobertt e de certa forma, aprendendo a detestar quem provocou essa tragédia, Becca consegue nos convencer de que há bondade naquele jovem e, portanto, nos faz torcer para que ambos se entendam, inclusive quando Howie descobre os laços fraternos entre sua esposa e quem matou seu filho.
  Aaron, que interpretou o vilão Duas Caras no filme "Batman - O Cavaleiro das Trevas", vem nesse filme por em prova o amor de marido por sua esposa, por mais que ela o rejeite em favor da tristeza pela morte do filho de ambos. E o que faz a posição de Becca influenciar na procura por apoio, por parte de Howie, fora do seu casamento, na líder do grupo de apoio a pais que perderam seus filhos que eles frequentam, a ex-estudante de psicologia Gaby.
  Dianne Wiest, que dá vida à mãe de Becca, Nat, nos presenteia também com uma excelente atuação. Nat perdeu há 11 anos seu filho Arthur, um viciado em drogas, e vive mencionando como é viver com sua dor para que sua filha faça o mesmo. Porém, Becca não aceita comparações entre Danny e seu irmão, por terem morrido de formas diferentes. Essa encrenca com sua mãe, gera na película um terrível embate entre as duas. E a intérprete de Nat, faz com que rendam boas discussões, em que mesmo complacentes com o drama de Becca, que nos deixam também com o dela. E essa complacência por Nat, gera inclusive uma leve antipatia à senhora Cobrtt, por desrespeitar a dor da mãe em favor da sua, como se ela fosse a única mulher que pudesse sofrer com a perda de um filho.
  Destaco no filme o enquadramento em primeiro plano na cena em que Becca relembra do dia fatídico da morte de seu filho, ao perceber que Jason acabara de se formar no ensino médio e está prestes a entrar na faculdade, situações que ela jamais voltará a viver. A fotografia do filme é predominantemente em tons pálidos, com ênfase para a cor azul na cena em que Howie leva o cão Taz para passear, ato ocorrido já que ele exige que as lembranças de Danny não sejam apagadas de sua vida por causa da esposa e o momento que Rebecca resolve juntar as roupas de Danny, lavá-las para dá-las de presente para a sua irmã que está grávida. Nos figurinos vemos o predomínio também da cor azul, no entanto situações em que se vê as cores marrom, branca, amarela, rosa e preta. Nos cenários também estão presentes as mesmas cores citadas a pouco, inclusive a cor verde. Como já foi dito nesse blog, e será relembrado agora, as cores presentes na película representam passividade, mal, miséria, pessimismo, sordidez, tristeza, frigidez, desgraça, dor, temor, negação, melancolia, opressão, angustia, renúncia, intriga, conforto, alerta, orgulho, esperança, idealismo, egoísmo, inveja, ódio, à feminilidade, a amabilidade, verdade, sentido, afeto, paz, advertência, meditação, amor, fidelidade, sentimento profundo, pesar, melancolia, resistência, entre outros sentimentos. Quanto à cor verde tem-se o sentido de personalidade dualista, na figura do casal Cobertt. Seja pelo egoísmo de Becca quanto à validade de seu sofrimento, seja no desespero egocêntrico de Howie em querer viver normalemente. "O verde por se a junção do amarelo com o azul, ele representa a dualidade do ativo, pelo amarelo, com o descanso e relaxamento, do azul. Simbolicamente ele está mais interligado à natureza, portanto o temperamento dos indivíduos que o escolhe, geralmente, é melancólico e bucólico. Ele faz perceber a sinceridade, o idealismo, a confiabilidade e o altruísmo. Essa dualidade pode provocar angústias interiores, hipersensibilidade e até mesmo apatia, passividade, insegurança e, portanto, baixa auto estima devido à presença da cor azul. Porém devido à existência da amarela, o verde em doses exacerbadas denúncia egocentrismo, manipulação, e como diria a autora Irene T. Tiski-Franckowiak em seu livro “Homem, Comunicação e Cor”, muitas vezes sufocando, por amor, os amigos e familiares." (TETI JÚNIOR, 2010:19).
  "Rabbit Hole", produzido em 2010, é uma adaptação da peça de David Lindsay-Abaire, tem direção de John Cameron Mitchell, roteiro de David Lindsay-Abaire, fotografia de Frank G. DeMarco, direção de arte de Ola Maslik, trilha sonora original de Anton Sankon, figurinos de Ann Roth, com duração aproximada de 91 minutos, incluindo os créditos finais.


Texto: Ricardo Montalvão


Referências:
TETI JÚNIOR, Ricardo Falcão. Análise da iluminação, a partir do Teatro de Brecht, no filme "Dogville". SAMPAIO, José Roberto Santos. (orientação).
http://www.cinepop.com.br/filmes/reencontrando-a-felicidade.php
http://noescuroevendo.wordpress.com/2011/01/24/reencontrando-a-felicidade/
http://www.adorocinema.com/filmes/reencontrando-a-felicidade/ficha-tecnica-e-premios/
http://www.adorocinema.com/filmes/reencontrando-a-felicidade/
http://www.imdb.com/title/tt0935075/
http://www.epipoca.com.br/filmes_detalhes.php?idf=22114
http://www.interfilmes.com/filme_22131_Reencontrando.a.Felicidade-(Rabbit.Hole).html
http://www.omelete.com.br/cinema/rabbit-hole-veja-nicole-kidman-e-aaron-eckhart-no-trailer-do-filme-de-john-cameron-mitchell/
http://www.rottentomatoes.com/m/rabbit_hole/
http://1.bp.blogspot.com/_ySQc3eBdHfk/TTKOcc8jPMI/AAAAAAAAFDc/hrwZ-MHJeBA/s1600/rabbit-hole12-1-10.jpg

2 comentários:

  1. Humm!!! Vou assistir com certeza. Gosto de filmes assim. xero amigo

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  2. Olá

    Já tô pegando ódio do seu blog, nada contra o conteúdo dele (que é bem interessante por sinal), e sim porque onde moro não tem cinema e eu ainda não vi esses filmes todos rs

    bjokas

    t+

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