domingo, 27 de fevereiro de 2011

A Origem dos seus pesadelos.


  E o último filme para a Maratona Oscar 2011 do nosso blog é "Inception", "A Origem" em português, do diretor Christopher Nolan.
  O filme narra a terrível culpa que Dom Cobb (Leonardo Di Caprio), especializado em roubar segredos valiosos do nível mais profundo do inconsciente humano enquanto as pessoas estão sonhando. Com isso ele acaba se tornando o criminoso mais procurado no mundo da espionagem. No entanto, eis que ele tem a oportunidade de rendenção e retornar à sua vida normal ao ser contratado por Saito (Ken Watanabe), com intuito de implantar na mente do jovem empresário Fischer (Cillian Murphy), para que ele divida a empresa do seu pai morto recentemente. Saito quer dominar a distribuição de energia no mundo, e a empresa dos Fischer se tornará seu principal concorrente.
  Enquanto todos crêem que implantar idéias não é viável, Cobb discorda e se propõe a provar a veracidade desse fato. Enquanto tudo isso está rolando, Cobb tem de enfrentar suas memórias fantasmagóricas com sua esposa Mal (Marion Cotillard). As lembranças de Mal têm a ver com a tenebrosa culpa que Dom carrega pelo final de seu casamento. Para essa empreitada extraordinária, ele convoca seus amigos Arthur (Joseph Gordon-Levitte), Ariadne (Ellen Page), que é aluna do curso de arquitetura que o pai de Dom ensina, e ela será a responsável por montar toda a fantasia concreta dos sonhos a serem invadidos, entre outros.
  O filme concorre a 8 categorias no Oscar 2011, Melhor Filme, Melhor Roteiro Original, Melhor Fotografia, Melhor Direção de Arte, Melhor Efeitos Especiais, Melhor Trilha Sonora, Melhor Som e Melhor Edição de Som. Concorreu ao Globo de Ouro 2011 nas categorias Melhor Filme de Drama, Melhor Diretor, Melhor Trilha Sonora e Melhor Roteiro. E concorreu no BAFTA ganhando nas categorias Melhor Direção de Arte, Melhores Efeitos Especiais e Melhor Som.
  Leo Di Caprio está completamente convincente em seu papel. Não haveria melhor intérprete para a personagem Dom do que Di Caprio. Marion com sua personagem Mal, traz uma intrigante angústia para quem assiste ao filme. Por qual motivo Mal está tão presente na vida de Dom enquanto ele dorme? Porque Mal traz tanto desespero e medo a Cobb? O que Dom fez a Mal para que a lembrança dela se torne um fantasma atordoante para ele? E essa dupla fará com que os telespectadores fiquem presos à película a fim de descobrir qual a ligação inconsciente que ambos têm. E Ellen Page está fantástica. Atriz de "Juno" e "MeninaMá.Com", repete mais uma vez uma excelente performance no filme.
  Com excelentes efeitos especiais, edição de som, som, trilha sonora, se prepare porque você não desgrudará nem um minuto da tela da televisão. Os takes em "slow motion" são os melhores. Destaco o primeiro em que Dom é jogado numa banheira cheia de água para que retorne do segundo estágio do sonho. E o segundo é o momento em que o forgão está prestes a cair dentro da água. Uma cena que na estória levaria 10 segundos, na duração do filme levam 27 minutos. Entre esse ato, ocorrem simultâneamente outros três que correspondem à profundidade dos níveis dos sonhos que atingem no inconsciente do jovem Fischer. São os melhores 30 minutos da película. Uma direção fenomenal de Nolan, edição fantásticas, você se viciará neste filme. Ah! Não posso esquecer da sequencia dentro do hotel, no segundo nível do sonho, que também tira o fôlego de qualquer um. Fiquem de olho nessas cenas citadas, caros leitores.
  "Inception", produzido em 2009, tem direção e roteiro de Christopher Nolan, trilha sonora de Hans Zimmer, fotografia de Wally Pfister, direção de arte de Frank Walsh, figurinos de Jeffrey Kurland, tem duração aproximada de 148 minutos, incluindo os créditos finais.

Texto: Ricardo Montalvão

Referências:
 

Briga entre leões.


  O filme é "Animal Kingdom", "Reino Animal" em português, do diretor David Michôd, que concorre ao Oscar 2011 na categoria Melhor Atriz Coadjuvante, e concorreu nessa mesma categoria também ao Globo de Ouro 2011, ganhou o prêmio de Melhor Filme Estrangeiro pelo Festival de Sundance de 2010.
  Joshua Cody (James Frecheville), carinhosamente chamado de "J" pela família, um jovem de 17 anos, tem sua mãe morta por overdose de heroína. Ele liga para sua avó Janine Cody (Jacki Weaver) dando a notícia, e ela, prontamente, acolhe o neto dentro de casa. O problema é que sua família materna tem uma longa ficha criminal por assaltos, assassinados, narcotráfico e por aí vai. Ele, que até então só havia ouvido as estórias pela boca da mãe, passa a viver e conviver diariamente com tudo isso. Aos 17 anos e com uma vida pela frente a ser construída e vivida, J arranja uma namorada, a jovem Nicole (Laura Weelwright), no entanto, pelo risco de vida que corre, por causa dos seus tios Darren Cody (Luke Ford), Barry Brown (Joel Edgerton), Craig Cody (Sullivan Stapleton) e Andrew Cody (Ben Mendelsohn), mais conhecido como "Pope", que alertam o garoto sobre o perigo que colocará a jovem Niccky se o namoro continuar. Ou seja, Joshua, não conseguirá mais viver tranquilamente sua vida. Em contrapartida a isso existe a figura do investigador policial Nathan Leckie (Guy Pearce), que se esforça para salvar J desse seio familiar, meio que desnorteado.
  James Frecheville desempenha muito bem seu papel de jovem perdido, após a morte da mãe, que em busca de uma vida familiar tranquila, se vê mais perdido ainda ao ir morar na casa da avó. Uma casa um tanto quanto com padrões sociais adquiridos de forma ilegal, numa junção de crimes, com indícios de um possível incesto entre a avó e seus tios. Tudo isso para a cabeça de um jovem, são coisas difíceis de absolver repentinamente. Excelente atuação, dentro dos moldes da direção, que transita entre uma normalidade e inconstâncias psicológicas perante à toda situação em que agora vive.
  Jacki Weaver, que concorre à Melhor Atriz Coadjuvante no Oscar 2011, mal aparece no filme. Com cenas instantâneas, quanto à rapidez de sua exibição, ela só recebe destaque mesmo já próximo dos minutos finais da película. A cena de destaque dela, talvez a que a fez disputar essa categoria, é quando ela vai com o advogado da família, no escritório do Detetive Randall Roache (Justin Rosniak), que tem o "rabo" preso com os Cody, e, indiretamente ironias à parte, sem chantagens escancaradas e de forma "bem sutil", ela o obriga a fazer o impossível para tirar seus filhos que estão na cadeia. Sim, a essa altura, Barry e Craig já foram mortos e Pope e Darren estão presos por assassinato. Ao meu ver, essa é também a melhor cena de todo o roteiro. Com personalidade fria e calculista, Janine constrói toda uma fortaleza de defesas incontestáveis a fim de retirar seus rebentos de trás das grades. E para isso, sua principal vítima e isca, será o jovem Joshua, que terá seu testemunho alterado e treinado por seus advogados corruptos, para convencer o juiz da inocência de Andrew e Darren.
  Com um roteiro, extremamente, típico e comum entre os filmes de perseguição policial, tráfico de drogas e assassinatos, a estória não tem grandes surpresas. No entanto, ela é contada a partir de um novo ponto de vista. Ao invés de ser de quem comete os crimes, é por um membro da família, que se vê perdido pela morte da mãe e, mais ainda, com toda essa novidade de um mundo criminal entre parentes. Destaco as cenas em que os enquadramentos são editados em "slow motion", a famosa "câmera lenta", com narrações de Joshua, contando as situações para que aquilo estivesse ocorrendo, ou que será gerado por aquela atitude. Essas cenas são, além da já mencionada no parágrafo anterior, as melhores, não só apenas por interpretação, mas também, na questão técnica de filmagem, montagem e edição de uma produção cinematográfica.
  "Animal Kingdom", um filme australiano, produzido em 2009, baseado em fatos reais sobre o tiroteio de Walsh Street, com direção e roteiro de David Michôd, fotografia de Adam Arkapow, trilha sonora de Antony Partos, direção de arte de Janie Parker e figurinos de Cappi Ireland, tem duração aproximada de 114 minutos, incluindo os créditos finais.

Texto: Ricardo Montalvão

Referências:

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Atração (NADA) Perigosa


  O filme é "The Town", "Atração Perigosa" em português, do diretor Ben Affleck, que concorre ao Oscar 2011 de Melhor Ator Coadjuvante, e disputou na mesma categoria no Globo de Ouro 2011, pela atuação de Jeremy Renner.
  Fala-se aqui de uma gangue que assalta carros fortes e bancos. Em um dos assaltos a banco, o escolhido é justamente o que Claire Keesey (Rebecca Hall) trabalha como gerente. Durante o assalto, Claire aciona o alarme silencioso, e ao descobrirem que a polícia está prestes a chegar, Doug MacRay (Ben Affleck), Jem (Jeremy Renner) e toda sua equipe, levam Claire como réfem, tendo como certeza de que nada acontecerá a eles, por causa da presença dela. Ao fugirem do banco, é deixado claro à Claire que nada será feito contra ela. Eles apenas mandam, ao abandoná-la na praia, que ela caminhe até sentir a água tocar em seus pés, para que tirasse a venda dos olhos.
  Como se não bastasse todo trauma causado à jovem, embora isso seja uma coisa que bandidos não estão preocupados, eles roubam a carteira de motorista de Claire e descobrem que ela mora nas redondezas que eles também habitam. Tem-se aí o embate pela caça à moça. Embate pois é Jem que quer perseguí-la, porém Doug não permite e ele mesmo faz esse trabalho. Entre perseguição e aproximação à vítima, desenvolve-se aí uma relação carinhosa e amorosa entre Doug, sequestrador, e Claire, sequestrada. Até então, a garota não descobriu. E é nesse jogo de cão e gato, que ambos se apaixonam um pelo outro, e é nesse perigo iminente da descoberta, que eles vivem sua paixão.
  Rebecca, que já foi analisada anteriormente aqui na postagem E esse quarteto amoroso, hein?, sobre o filme "Vicky Cristina Barcelona), está em xeque novamente. Com uma atuação, ao meu ver, inferior da que já discutimos aqui, ela vive uma gerente de banco, que foi sequestrada, e vive um princípio do que seria Síndrome do Pânico. No entanto, não deixou de sair de casa e, portanto, de ir trabalhar. Sua atuação continua nos moldes naturalistas, o que é comum em produções cinematográficas, porém, aqui ela não se destaca tanto quanto em Vicky Cristina Barcelona.
  Ben Affleck, que já recebu o Oscar de Melhor Roteiro de 1998, pelo filme "Gênio Indomável", e dirigiu em 2007 "Medo da Verdade" se lança aqui em um desafio maior ainda para sua carreira. Ele dirige e atua em sua obra. O filme tem uma direção de razoável à normal, sem grandes mistérios e sua atuação está digna do ator que é. Assim como Rebbeca, ele também está normal e sem expectativas maiores para o seu trabalho nessa película.
  Já Jeremy Renner, esse sim, surpreende por sua atuação. Não que ela tenha 'artefatos' teatrais mirabolantes, não! E tenho de me desculpar, já que há dois dias afirmei não entender a indicação, hoje digo que a indicação é justificável e até mesmo, quem sabe, louvável. Porém, meu favoritismo ainda é de Bale por "O Vencedor". Favoritismos à parte, a frieza necessária à sua personagem, é a característica que explica a indicação. Além de que é ele que segura o filme, com as cenas que participa. As cenas em que ele aparece com Affleck e Hall, sentados numa mesa de bar, e na que Doug e Jem discutem e saem no braço, seriam as que mais destaco e friso para que os telespectadores prestem bastante atenção, pois digo que justificariam a indicação dele.
  Com um roteiro bem previsível, se visto o trailler, o filme é algo comum, quanto a enredos de ação e perseguição policial. Até mesmo no romance dos dois, embora não tão batido, isso não surpreende nem um pouco. A tensão mesmo só quanto ao último assalto da gangue, fora isso, um roteiro bem monótono. Digo que o trailler é muito mais interessante do que o próprio filme. Ben, que me perdoe, embora uma direção normal, o roteiro é, extremamente, previsível.
  "The Town", produzido em 2010, tem direção de Ben Affleck, roteiro de Ben Affleck, Peter Craig e Aaron Stockard, baseado na novela "Prince of Thieves" de Chuck Hogan, música de David Buckley e Harry Gregson-Williams, fotografia de Robert Elwist, direção de arte de Peter Borck e figurinos de Susan Matheson, com duração aproximada de 120 minutos, incluindo os créditos finais.

Texto: Ricardo Montalvão

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sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

L'amore nei vari atti.


  O filme de hoje, concorre ao Oscar 2011 na categoria Melhor Figurino. Chama-se "Io Sono L'amore", ou se preferir "Eu Sou o Amor", em português, com direção de Luca Guadagnino.
  Narra-se a aqui a estória da família Recchi, cujo patriarca decidi deixar a empresa nas mãos do seu filho Tancredi Recchi (Pippo Delbono) e para um dos seus netos, o Edoardo Recchi (Flavio Parenti), carinhosamente chamado de Edo. Nesse meio tempo, Edoardo resolve abrir um restaurante, com seu amigo Antonio Biscaglia (Edoardo Gabbriellini), pegando o dinheiro de sua parte na empresa. Até aí tudo ia muito bem, até que Emma Recchi (Tilda Swinton), mãe de Edo, se envolve amorosamente com o melhor amigo de seu filho. Pronto! A confusão está armada dentro de umas das famílias mais tradicionais e ricas de Milão, Itália. No entanto, como se não bastasse esse escândalo, Elizabetta Recchi (Alba Rohrwacher), filha do casal, resolve assumir sua homossexualidade e começa um romance com uma jovem de Sanremo.
  O filme concorre ao Oscar 2011 de Melhor Figurino e foi indicado ao Globo de Ouro 2011 na categoria Melhor Filme em Língua não Inglesa, como também nessa mesma categoria concorreu ao BAFTA 2011 (British Academy of Film and Television Arts). Por enquanto, não ganhou nenhum prêmio que disputou até então.
  Tilda é, sem dúvida, quem se destaca em todo filme. Sua personagem é uma esposa, recatada, tradicional, meio indecisa, aparentemente forte, que entra em choque ao ser apresenta a Antonio. Com esse fogo de paixão, que se transformará em um forte e devastador amor, ela começa um caso extra-conjugal com o rapaz. Entre delírios sexuais presos e a concretização desse romance, faz Emma viver em constante medo e tensão ems er descoberta pelo seu filho Edoardo, melhor amigo de Antonio. Sua personagem é russa, mas ao conhecer Tancredi, muda-se para Itália e não retorna mais à sua terra natal. O domínio dos idiomas italiano e russo por parte de Tilda, é excelente. Palmas para o domínio das línguas que essa bela atriz, do Reino Unido, tem.
  Edoardo é o filho mais enfático dos três irmãos, tanto que recebe metade da empresa de seu avô em suas mãos para governá-la junto ao seu pai. No entanto, a "praia" dele é gastronomia e montar o seu restaurante em parceria com o seu melhor amigo, Antonio. Entre descobertas dos indícios deixados pelo casal que se esconde, a descoberta por parte de Edo, da traição de sua mãe, será crucial para a vida do jovem, fazendo com que desgraças aconteçam a essa família.
  Antonio, um jovem longe de ser rico como os Recchi, é amigo de Edo há alguns anos e como cozinheiro nato e eficiente, batalha com sue amigo para a abertura do restaurante dos dois. Se envolve com a mãe do amigo e com isso, passa também a viver a tensão de ser pego em flagrante com Emma. Ele e Kitesh, apelido russo carinho da personagem de Tilda, são descobertos por uma tremenda falha de atenção que Biscaglia teve ao preparar a sopa preferida de Edo, que Emma fazia quando seu filho era pequeno, em um importante jantar de negócios para a empresa Recchi.
  Figurinos com belos cortes e ajustes, cores importantes e fundamentais para que sejam desvendadas, com o desenrolar do roteiro, às personalidades de cada personagem e nos faça entender o sentido de seus atos, a indicação a Melhor Figurino, é no mínimo, satisfatória. Porém, como vem ocorrendo nos anos anteriores, a preferência pela categoria é para filmes de época, portanto, diria que ele tem poucas chances de levar a estatueta para casa. Afinal de contas seus concorrentes são "O Discurso do Rei" e "Bravura Indômita", filmes de época, que os fazem ter chances de levar o prêmio, porém há de se prestar atenção no outro concorrente, diria que talvez o mais forte deles, que é o filme "Alicie no País das Maravilhas", de Tim Burton. Embora não condiga com a tradição dos anos passados, Burtom, com sua equipe de figurino, fizeram belos trajes com tamanha alma inusitada, que diria sim, ao menos para mim, ser o favorito na categoria. Entretanto que fique bem claro, que o último concorrente, não foi citado, por não ter sido visto.
  Com atuações bastante naturalista, "I Am Love", nome dado em inglês, é sim um filme a ser apreciado com gosto e apreço. Sua fotografia, direção de arte e trilha sonora, arrancam boas emoções catárticas de quem o assiste.
  "Io Sono L'Amore", produzido em 2009, tem direção de Luca Guadagnino, roteiro de Luca Guadagnin, Barbara Alberti, Ivan Cotroneo e Walter Fasano, fotografia de Yorick Le Saux, trilha sonora de John Adams, figurinos de Antonella Cannarozzi, direção de arte de Monica Sironi, com duração aproximada de 120 minutos, incluindo os créditos finais.

Texto: Ricardo Montalvão

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quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

"Tinha uma pedra no meio do caminho"


  E o filme da vez é "127 Hours", ou "127 Horas", do diretor Danny Boyle, o mesmo do filme ganhador do Oscar de Melhor Filme em 2009, "Slumdog Milionaire".
  Se você achou que "Black Swan" tinha cenas 'intragáveis' de auto mutilação e, portanto, saiu do cinema com o estômago revirado, então sugiro que quando for assistir "127 Horas" leve um saquinho para vômito ou, no máximo, um bom remédio para enjôo. O filme é recheado de cenas fortes, que vale a pena lembrar aquela conhecida frase "Proibido para maiores de 65 anos ou para quem tem problemas cardíacos". Mas se você estiver a fim de encarar esse "show de bizarrisse" à parte, esteja a vontade em deliciar esse Thriller com alto nível de tensão e estresse.
  O filme é uma adaptação do livro homônimo escrito pelo próprio Aron Ralston (James Franco), que ao escalar o John Blue, nas montanhas de Utah, nos Estados Unidos, sem avisar a nenhum conhecido, acaba sofrendo um acidente e tendo seu braço direito esmagado por uma pedra. Foram exatas 127 horas, 5 dias e 7 horas, entre sede, fome, alucinações, chuva, sol, poeira, torniquetes, entre outras coisas, que são narradas no livro e foram traduzidas, semioticamente falando, para as telas do cinema.
  A princípio mais um roteiro em que mostra até que ponto vão os limites do corpo humano e de como superá-los. No entanto, roteiro à parte, o que faz desse filme um espetáculo durante seus 93 minutos, é a trilha sonora, juntamente com a fotografia e direção de arte. Os enquadramentos em primeiro plano, que retratam situações que, normalmente, jamais passariam em nossas cabeças, mas que passam nas de quem está entre a vida e a morte e que um leve fechar de pálpebras, pode significar o seu ultimo suspiro, são fantásticos em sua velocidade de video clipe. Os takes internos que mostram Aron bebendo água, sua urina e até mesmo seu sangue, ele comendo suas lentes de contato, o interior de suas veias, a parte interna do braço, no momento em que detecta a que distância entre a epiderme e o osso, o acelerar do cabeçote da câmera, o simples registro de uma formiga a caminhar pela terra ou por ele; o interior da garrafa de água e do cano de sua sacola térmica e a sequencia final de sua angústia, são verdadeiras obras de arte de pura apreciação, como também, de pura repulsa. É um misto de ansiedade pela liberdade dele, e ao mesmo tempo uma tremenda agonia quanto às cenas mais pormenorizadas que mostram como o tempo passa len-ta-men-te para quem está naquilo. Seja para o próprio Ralston, ou para quem assiste o filme. Temos então aí, uma boa direção, que em parceria com sua equipe de produção, edição, som, mixagem de som, montagem e por aí vai, criaram um filme eletrizante! Ah! Não posso esquecer também dos diversos enquadramentos que retratam toda a caminhada de Franco até o local fatídico, mas, principalmente, os que mostram suas alucinações e instantes que ele passa preso na pedra. São, como já disse antes, verdadeiras obras de apreciação.
  A película mostra também os momentos de alucinação que Aron passa, e compara o ápice do seu limite de paciência e esperança, incluindo o tempo que falta para o desfecho do filme, com o descarregar da bateria de sua filmadora. Ele alucina o seu passado, o seu futuro e o seu presente. Vê seus familiares em diversas épocas de sua vida, como também de seus colegas de trabalho e a mulher que amava. Desculpa-se, ilustrativamente, por não poder comparecer a eventos que ocorrerão, já que pressupõe sua morte, no entanto é assim que ele arranja forças para continuar sua luta. São sequencias de cenas, que bem montadas e editadas, em vários planos e com angulações diversas, traduziram visualmente, o que o psicológico de Ralston teria passado pelo que deve ser narrado no livro, como fazem o mesmo para quem assiste esses momentos. A partir de suas alucinações iniciais, ele chega ao que eu diria ser a mais caótica. Deduz que a pedra, que prendera seu braço, o aguardava naquele local por toda a sua vida e que todos os seus atos egoístas, que cometera até então, têm sua justificativa por causa daquele objeto, que estaria pondo sua vida em risco. Uma espécie de loucura compreensível para quem está vivendo aquilo. Contudo, vale ressaltar que a sucessão de cenas finais da fenda em que a personagem real de Franco se encontra, acaba sendo, exageradamente, sensacionalista e apelativa. Não é a toa que o diretor Boyle, teve que se desculpar, em publico, aos muitos que passaram mal assistindo ao filme, tendo alguns que inclusive, deram entrada em hospitais, pelas cenas bem fortes que viram. Tudo bem que no livro, os fatos tenham sido narrados com extrema delicadeza e requintes de frieza, mas quem assiste não é obrigado há passar vários minutos vendo uma mesma coisa narrada, filmograficamente falando, de maneira cruel. Por mais que muitos digam não ser para tanto, haver desmaios e adjacências.
  A atuação de James Franco está ótima. Ele, com certeza, deve transparecer mesmo cada segundo de aflição e tensão que o verdadeiro Aron Ralston passou durante aquelas 127 horas preso pelo braço em uma rocha que deslizou por cima dele. As indicações que recebeu por Melhor Ator, no Oscar de 2011, e a de Melhor Ator de Drama, no Globo de Ouro 2011, são mais do que justas. Ele realmente merece esse reconhecimento por seu trabalho. Afinal, é ele quem leva todo filme em suas costas. A crítica especializada afirma ainda que, James Franco interpretou bem melhor Aron Ralston do que o próprio. Uma salva de palmas para ele, meus caros e queridos leitores! Obrigado!
  "127 Hours" recebeu seis indicações ao Oscar 2011, que foram as de Melhor Filme, Melhor Ator, Melhor Canção Original, Melhor Trilha Sonora e Melhor Montagem. Recebeu 3 indicações ao Globo de Ouro 2011, que foram de Melhor Ator de Drama, Melhor Roteiro e Melhor Trilha Sonora. E foi indicado a Melhor Filme, Melhor Diretor e Melhor Ator no Film Independet Spirit Awards (FISA), que terá sua premiação na véspera do Oscar, dia 26 de fevereiro de 2011. Segundo, mais uma vez, os críticos profissionais, o filme é bastante impactante, com os diversos "cacos" problemáticos típicos da direção de Boyle, e, portanto, não deve ser levado em consideração como um forte candidato às preimações que teve. Tanto que, tirando o Oscar e o Fisa, nas do Globo de Ouro, premiação que é boa, zero!
  "127 Horas", produzido em 2010, com direção de Danny Boyle, roteiro adaptado por Danny Boyle e Simon Beaufoy, baseado no livro homônimo de Aron Ralston, com fotografia de Enrique Chediak e Anthony Dod Mantle, direção de arte de Christopher R. DeMuri, música de A.R. Rahman, figurino de Suttirat Larlarb, edição de John Harris, tem duração aproximada de 93 minutos, incluindo os créditos finais.

Texto: Ricardo Montalvão

Referências:

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Blue Valentine?


  O filme de hoje é "Blue Valentine", ou "Namorados para Sempre" em português, com direção de Derek Cianfrance.
  "Namorados para Sempre" conta a estória de Cindy (Michelle Williams) e Dean (Ryan Gosling), um casal que vivendo uma enorme crise conjugal, afetando até a convivência de ambos com a pequena filha Frankie (Faith Wladka). Frankie é levada para a casa do avô, enquanto seus pais tentam se reconciliar. Eles chegam até ir a um motel para passarem uma noite romântica juntos, mas as horas passam e ocorrem uma sucessão de fiascos quanto à se acertarem.
  "Blue Valentine" concorre ao Oscar 2011 na categoria de Melhor Atriz, com Michelle Williams. Indicado ao Globo de Ouro de 2011 nas categorias Melhor Ator de Drama e Melhor Atriz de Drama. Rendeu também indicações no Film Independent Spirit Awards (FISA) na categoria Melhor Atriz, como também indicações como Melhor Filme, Melhor Atriz e Melhor Ator de Drama no Satellite Awards e Melhor Diretor para o Grande Prêmio do Júri no Festival de Sundance. Como se pode ver, o filme é recheado de indicações, mas prêmio que é bom  mesmo, nenhum.
  É um filme com roteiro água com açúcar, em que discute uma estória bastante batida em películas desse tipo. Um casal que sempre se amou perdidamente, entra em crise conjugal e juntos resolvem dar mais uma chance ao casamento. Em algumas estórias, o amor é redescoberto e em outras, é cada um para o seu lado, tchau e benção. Portanto, não temos muito o que falar sobre ele. Fotografia, direção de arte e trilha sonora, normais e básicas. Sem muita apelação artística e semiológica no filme. Só mesmo a sequencia de cenas em que ambos estão no motel, cujo quarto escolhido para a noite de reconciliação foi o "Quarto Futurista", e que portanto, a fotografia passa a ser na cor azul. Quem tiver interesse em saber o significado que essa cor causa nos seres humanos, é só visitarem a postagem A Gagueira do Rei, sobre o filme "O Discurso do Rei".
  A atuação de Williams, é nada mais e nada menos do que algo completamente normal e sem muitas surpresas. Na verdade diria que não há surpresa alguma, e, sinceramente, não entendo do porque de tantas indicações em diversos prêmios para ela como Melhor Atriz. Acho estranho sim, na mais famosa premiação do cinema mundial, o ator Ryan Gosling não receber indicação para Melhor Ator também. Afinal sem ele, Michelle não teria destaque nenhum no enredo. É dele os louros para a cena mais tumultuada de toda a estória. É ele sim, que cumpre sua designação muito bem, não só na cena em que discute com Cindy, no hospital em que ela trabalha, mas desde a primeira cena em que a pequena Frankie o acorda atrás da cachorra Megan que fugira de casa. Mais uma vez repito que sem ele, ela não seria nada no filme. Se em todas as cenas, só ele que aparecesse, e os problemas do casal, fossem apenas narrado, o filme seria excelente. Ou quem sabe então, se a atriz fosse outra, aí sim a dupla se saísse melhor.
   Uma personagem que quase não aparece, mas que acredito ter feito, no mínimo, o esperado para o seu papel, é a avó de Cindy, interpretada pela atriz Jen Jones. Jen é uma senhora, com idade bastante avançada, cadeirante, que dá excelentes conselhos à Cindy e meio que, guia a vida da neta. A identificação entre as duas atrizes é tão sincera, que chega até emocionar, de alguma forma, a quem assiste o filme.
  "Blue Valentine", produzido em 2010, tem direção de Derek Cianfrance, roteiro de Derek Cianfrance, Joey Curtis e Cami Delavigne, fotografia de Andrij Parekh, direção de arte de Chris Potter, figurinos de Erin Benach, com duração aproximada de 114 minutos, incluindo os créditos finais.

Texto: Ricardo Montalvão

Referências:

O Inferno da Alma


  O filme hoje é "Winter's Bone", que em português é chamado de "Inverno da Alma", da diretora Debra Granik.
  A estória se passa na paisagem gélida das montanhas Ozark, interior do estado do Missouri, em que Ree Dolly (Jennifer Lawrence) recebe a notícia de que caso seu pai, com liberdade condicional, não compareça à audiência em que será julgado, terá a casa em que mora com sua mãe, com problemas mentais, e seus dois irmãos pequenos Sonny (Isaiah Stone) e Ashlee (Ashlee Tompson), leiloada.
  Nessa situação Ree resolve ir à caça do seu genitor. O problema é que ela não contava com a dificuldade de retirar essa informação de seus vizinhos de região. A floresta em que reside é marcada pelo alto teor machista, tendo sido ignorada e discriminada por qualquer pessoa que se dirija. Afinal mulheres só resolvem problemas de mulheres e com mulheres. Não é admitido uma mulher ir em busca de resolução para algo que é dito do ambiente masculino. Como assim? Bom, ela está a caça do pai, no entanto, os homens da região só tratariam desse assunto, caso um outro homem, como por exemplo o tio dela, o Teardrop (John Hawkes). Por ser uma mulher, jamais conseguirá informações sobre o pai.
  Só que Dolly não se contentará com essa imposição de gênero e desafiará homens e mulheres que cruzarem seu caminho, a fim de impedirem-na de encontrar seu pai, traficante de Metanfetamina, foragido da polícia. Pois a essa altura a audiência já ocorreu e ele, como era esperado, não compareceu. E é pondo à prova o machismo da região, que a figura de uma jovem de 17 anos, responsável por sua família, que toda a película se desenrola.
  "Winter's Bone" concorre a 4 categorias no Oscar 2011. As categorias são as de Melhor Filme, Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Atriz e Melhor Ator Coadjuvante. Recebeu os prêmios de Melhor Filme e Melhor Roteiro do Grande Prêmio do Júri do Festival de Sundance de 2011. Recebeu 7 indicações ao Film Independet Spirit Award (FISA), considerado o "Oscar" para filmes independentes. O FISA terá sua premiação no dia 26 de fevereiro de 2011, véspera do grande prêmio do cinema mundial, e as categorias concorrentes são as de Melhor Filme, Melhor Atriz, Melhor Atriz Coadjuvante, Melhor Diretor, Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Fotografia.  E ele também foi indicado ao Globo de Ouro de 2011 na categoria Melhor Atriz de Drama.
  Jennifer Lawrence, que concorre ao Oscar de Melhor Atriz, é o centro das atenções do enredo e quem segura as pontas de um filme, aparentemente, cansativo no início. Ela denota muito bem o sofrimento, angústia, medo, preocupação, maturidade precoce, responsabilidade familiar e financeira de uma garota que teve que assumir as rédias de sua casa, após o sumiço do seu pai, já que a mãe está numa cadeira de rodas com problemas mentais. Ela nos faz, sim, mergulhar nesse universo tão confuso e dilacerador que sua personagem vive em meio ao frio nas montanhas de Ozark.
  John Hawkes concorre ao Oscar de Melhor Ator Coadjuvante e, sinceramente, não compreendi muito bem a indicação para ele. Uma personagem, que mesmo não aparecendo direto no enredo, não é responsável por cenas muito importantes que tenham valido a pena ser indicado nessa categoria. Talvez uma atuação sem muitas observações, se não fosse a cena em que Teardrop conversa com Dolly dentro da caminhonete dele, quando resolve ajudá-la a procurar o pai, e ela pergunta se ele sempre teve medo dela, tendo uma resposta afirmativa já que Ree sempre foi inteligente. Para entender o sentido da cena, só assistindo mesmo ao filme. Teardrop é o tio paterno estúpido e violento de Ree que tenta impedí-lá a qualquer custo de encontrar seu irmão, por quase todo o enredo.
  Agora a atuação que destaco no filme, e lamento não ter sido indicada ao Oscar 2011, mas que foi reconhecida no FISA, é a de Dale Dickey. Dale interpreta Merab, a personagem mais responsável pelo insucesso de Ree durante sua jornada. Merab é parente de Thump Milton (Ron "Stray Dog" Hall), o mais temido da região e que sabe o paradeiro de Jessup, pai da personagem de Jennifer. Ao chegar na casa de Thump, R. Dolly é recebida por Merab, que tenta forçá-la a esquecer seu objetivo. Como Ree não obedece e chega a ir atrás de Milton, Merab e suas irmãs dão uma surra na garota. Dickey, aparece em cerca de 3 a 4 cenas durante todo o filme, mas arranca suspiros e tensões do telespectador nas suas breves passagens.
  A fotografia do filme é quase toda em azul. Assim como em boa parte da exibição notam-se figurinos e cenários nas cores azul e laranja. No entanto percebe-se também a grande aparição do marrom e, principalmente, a cor branca, já que o frio de Ozark acaba se tornando uma personagem coadjuvante em toda a ação. Para quem estiver interessado em descobrir os sentidos psicológicos que as cores azul, branca e marrom é só acessar as postagens anteriores A Gagueira do Rei, sobre o filme "O Discurso do Rei", ou a Hole's Kidman, sobre o filme "Reencontrando a Felicidade". Lá vocês verão os diversas influências dessas cores na mente humana, como também de outras mais. Já quanto à cor laranja, temos ofensa, agressão, competição, operacionalidade, locomoção, luz, calor, perigo, aurora, raios solares, robustez, desejo, dominação, sexualidade, força, dureza, euforia, energia, advertência, tentação, intolerância a crítica.
  "Winter's Bone", produzido em 2010, é uma adaptação do livro de mesmo nome de Daniel Woodrell, tem direção de Debra Granik, roteiro adaptado de Debra Granik e Anne Rosselini, fotografia de Michael McDonought, direção de arte de Mark White, figurinos de Rebecca Hofherr, trilha sonora de Dickon Hinchliffe, com duração aproximada de 100 minutos, incluindo os créditos finais.

Texto: Ricardo Montalvão

Referências:
TETI JÚNIOR, Ricardo Falcão. Análise da iluminação, a partir do Teatro de Brecht, no filme "Dogville". SAMPAIO, José Roberto Santos. (orientação).

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Hole's Kidman.


  E o filme escolhido para hoje é "Rabbit Hole", que rendeu à Nicole Kidman a indicação ao Oscar 2011 de Melhor Atriz, em que o título em português é "Reencontrando a Felicidade" do diretor John Cameron Mitchell.
  Narra-se aqui a estória do casal Rebecca Cobertt (Nicole Kidman) e Howie Cobertt (Aaron Eckhart) que perdeu seu filho Danny (Phoenix List) há 8 meses, e por isso freqüentam um grupo de apoio, liderado por Gaby (Sandra Oh), a fim de superarem essa perda.
  Toda essa situação, o início de uma estranha amizade entre Becca e Jason (Miles Teller), assassino de Danny, Howie exigir que as lembranças do seu filho não sejam apagadas, embora continue sua rotina diária normalmente, a frigidez da personagem de Nicole, a falta de apetite sexual na relação, a necessidade de apoio emocional fora do casamento, enfim, é em uma tremenda pilha nervos à flor da pela, prestes a explodir, que esse filme se desenrola até o seu desfecho.
  Nicole, em sua brilhante carreira, recebe mais uma indicação ao Oscar de Melhor Atriz, como também recebeu a mesma indicação para filmes de drama no Globo de Ouro desse ano. Kidman, é sem dúvida, uma das minhas atrizes hollywoodianas favoritas. Além dela, só Meryl Streep. Enfim, com pouca maquiagem e sem imagens sensuais, ela dá à sua personagem Becca um tom psicológico e cruel de uma mãe que perde seu filho, perdoa o assassino dele e não comparece com seus direitos e deveres de esposa. E embora, Natalie seja favorita ao prêmio, a intérprete da senhora Cobertt, ganha enormes pontos ao seu favor na disputa. Longe de sua interpretação de Virginia Woolf, em "As Horas", personagem que lhe rendeu a vitória nessa mesma categoria no ano de 2003, pode-se ver semelhanças na interpretação, embora, como já mencionei, as personagens se diferenciem bastante em sua essência. As semelhanças ficam na carga dramática e intensidade de sentimentos que Nicole transparece em suas personagens mais sofridas. Além é claro de nos convencer de que não culpa de forma alguma o jovem Jason por ter atropelado seu pequeno filho. A amizade entre os dois é tão natural e verdadeira, que mesmo o telespectador presenciando o sofrimento do casal Cobertt e de certa forma, aprendendo a detestar quem provocou essa tragédia, Becca consegue nos convencer de que há bondade naquele jovem e, portanto, nos faz torcer para que ambos se entendam, inclusive quando Howie descobre os laços fraternos entre sua esposa e quem matou seu filho.
  Aaron, que interpretou o vilão Duas Caras no filme "Batman - O Cavaleiro das Trevas", vem nesse filme por em prova o amor de marido por sua esposa, por mais que ela o rejeite em favor da tristeza pela morte do filho de ambos. E o que faz a posição de Becca influenciar na procura por apoio, por parte de Howie, fora do seu casamento, na líder do grupo de apoio a pais que perderam seus filhos que eles frequentam, a ex-estudante de psicologia Gaby.
  Dianne Wiest, que dá vida à mãe de Becca, Nat, nos presenteia também com uma excelente atuação. Nat perdeu há 11 anos seu filho Arthur, um viciado em drogas, e vive mencionando como é viver com sua dor para que sua filha faça o mesmo. Porém, Becca não aceita comparações entre Danny e seu irmão, por terem morrido de formas diferentes. Essa encrenca com sua mãe, gera na película um terrível embate entre as duas. E a intérprete de Nat, faz com que rendam boas discussões, em que mesmo complacentes com o drama de Becca, que nos deixam também com o dela. E essa complacência por Nat, gera inclusive uma leve antipatia à senhora Cobrtt, por desrespeitar a dor da mãe em favor da sua, como se ela fosse a única mulher que pudesse sofrer com a perda de um filho.
  Destaco no filme o enquadramento em primeiro plano na cena em que Becca relembra do dia fatídico da morte de seu filho, ao perceber que Jason acabara de se formar no ensino médio e está prestes a entrar na faculdade, situações que ela jamais voltará a viver. A fotografia do filme é predominantemente em tons pálidos, com ênfase para a cor azul na cena em que Howie leva o cão Taz para passear, ato ocorrido já que ele exige que as lembranças de Danny não sejam apagadas de sua vida por causa da esposa e o momento que Rebecca resolve juntar as roupas de Danny, lavá-las para dá-las de presente para a sua irmã que está grávida. Nos figurinos vemos o predomínio também da cor azul, no entanto situações em que se vê as cores marrom, branca, amarela, rosa e preta. Nos cenários também estão presentes as mesmas cores citadas a pouco, inclusive a cor verde. Como já foi dito nesse blog, e será relembrado agora, as cores presentes na película representam passividade, mal, miséria, pessimismo, sordidez, tristeza, frigidez, desgraça, dor, temor, negação, melancolia, opressão, angustia, renúncia, intriga, conforto, alerta, orgulho, esperança, idealismo, egoísmo, inveja, ódio, à feminilidade, a amabilidade, verdade, sentido, afeto, paz, advertência, meditação, amor, fidelidade, sentimento profundo, pesar, melancolia, resistência, entre outros sentimentos. Quanto à cor verde tem-se o sentido de personalidade dualista, na figura do casal Cobertt. Seja pelo egoísmo de Becca quanto à validade de seu sofrimento, seja no desespero egocêntrico de Howie em querer viver normalemente. "O verde por se a junção do amarelo com o azul, ele representa a dualidade do ativo, pelo amarelo, com o descanso e relaxamento, do azul. Simbolicamente ele está mais interligado à natureza, portanto o temperamento dos indivíduos que o escolhe, geralmente, é melancólico e bucólico. Ele faz perceber a sinceridade, o idealismo, a confiabilidade e o altruísmo. Essa dualidade pode provocar angústias interiores, hipersensibilidade e até mesmo apatia, passividade, insegurança e, portanto, baixa auto estima devido à presença da cor azul. Porém devido à existência da amarela, o verde em doses exacerbadas denúncia egocentrismo, manipulação, e como diria a autora Irene T. Tiski-Franckowiak em seu livro “Homem, Comunicação e Cor”, muitas vezes sufocando, por amor, os amigos e familiares." (TETI JÚNIOR, 2010:19).
  "Rabbit Hole", produzido em 2010, é uma adaptação da peça de David Lindsay-Abaire, tem direção de John Cameron Mitchell, roteiro de David Lindsay-Abaire, fotografia de Frank G. DeMarco, direção de arte de Ola Maslik, trilha sonora original de Anton Sankon, figurinos de Ann Roth, com duração aproximada de 91 minutos, incluindo os créditos finais.


Texto: Ricardo Montalvão


Referências:
TETI JÚNIOR, Ricardo Falcão. Análise da iluminação, a partir do Teatro de Brecht, no filme "Dogville". SAMPAIO, José Roberto Santos. (orientação).
http://www.cinepop.com.br/filmes/reencontrando-a-felicidade.php
http://noescuroevendo.wordpress.com/2011/01/24/reencontrando-a-felicidade/
http://www.adorocinema.com/filmes/reencontrando-a-felicidade/ficha-tecnica-e-premios/
http://www.adorocinema.com/filmes/reencontrando-a-felicidade/
http://www.imdb.com/title/tt0935075/
http://www.epipoca.com.br/filmes_detalhes.php?idf=22114
http://www.interfilmes.com/filme_22131_Reencontrando.a.Felicidade-(Rabbit.Hole).html
http://www.omelete.com.br/cinema/rabbit-hole-veja-nicole-kidman-e-aaron-eckhart-no-trailer-do-filme-de-john-cameron-mitchell/
http://www.rottentomatoes.com/m/rabbit_hole/
http://1.bp.blogspot.com/_ySQc3eBdHfk/TTKOcc8jPMI/AAAAAAAAFDc/hrwZ-MHJeBA/s1600/rabbit-hole12-1-10.jpg

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

A Bravura de Mattie.


  E o filme escolhido é "True Grit", em português chamado de "Bravura Indômita", dos Irmãos Coen.
  Tudo se passa após a morte do pai de Mattie Ross (Haliee Steinfeld), em que a jovem aos 14 anos sai de casa em busca de Tom Chaney (Josh Brolin), que matou seu pai. Para isso ela contrata o xerife, bastante alcoólatra, Reuben J. Cogburn (Jeff Bridges), que só aceita o trabalho depois que a infanta insiste muito. Eles contarão também com La Boeuf (Matt Damon), um policial texano, que está em busca do mesmo criminoso.
  "True Grit", adaptado do livro homônimo de Charles Portis, é uma refilmagem de um clássico de mesmo nome de 1969, dirigido, na época, por Henry Hathaway, cujo papel principal era do ator Jhon Wayne, o qual rendeu-lhe o Oscar de Melhor Ator. A atriz que interpretava Mattie Ross era Kim Darby e quem fazia La Boeuf era o ator Glen Campbell. Em 2010, os irmãos Joel e Ethan Coen, têm a brilhante ideia de produzirem esse remake, estrelando nos papéis principais Bridges, Steinfeld e Damon.
  A versão atual recebeu 10 indicações ao Oscar 2011. Foram as de Melhor Filme, Melhor Ator, Melhor Atriz Coadjuvante, Melhor Diretor, Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Direção de Arte, Melhor Fotografia, Melhor Figurino, Melhor Edição de Som e Melhor Mixagem de Som. Recebeu também 8 indicações ao BAFTA 2011, levando para casa apenas a estatueta de Melhor Fotografia. E mais duas indicações ao Screen Actors Guild Awards.
  Com um humor ácido e de poucas palavras, Haliee faz de Mattie uma excelente personagem. A atriz encarna tão bem a bravura a todo custo da jovem Ross em busca de justiça pela morte de seu pai, merecendo a indicação de coadjuvante desse ano nos prêmios aos quais concorre, que ela leva muito bem o filme. Stienfeld pode ser a terceira atriz mais jovem a ser oscarizada. Ao menos os estúdios da Paramount estão a todo vapor para que sua pupila ganhe o Oscar 2011. Sua personagem é hostil, tem um humor bastante ácido, irônica e sarcástica, grossa, direta em seus propósitos, obriga a Cogburn aceitar o desafio de buscar o assassino do seu pai e impõe, também, sua presença nessa jornada, por mais que o xerife fosse contra isso. Embora o favoritismo a Atriz Coadjuvante seja de Melissa Leo por "O Vencedor", a minha preferência encontra-se dividida entre Stienfeld e Bonham Carte, por "O Discurso do Rei".
  Matt Damon, mesmo sua personagem tendo poucas cenas no filme, tem de ser lembrado. Ator, que dá vida ao policial texano La Boeuf e que nos dá momentos divertidos na película, ao lado de Jeff, como por exemplo, a discussão quanto o tiro ao alvo.
  E Jeff Bridges, mais uma vez candidato ao Oscar de Melhor Ator de 2011, e que ganhou ano passado na mesma categoria, volta às telonas nos fazendo esquecer o seu cantor chato de música country em decadência do filme "Crazy Heart". Ele está impagável na pele do xerife beberrão Cogburn. É ele quem puxa os momentos mais divertidos durante toda a exibição. Digo que ao contrário de Crazy Heart, em True Grit, ele se encontra nesse papel. Um casamento perfeito entre ator e personagem. No entanto, meu favorito dessa categoria continua sendo Colin Firth por "O Discurso do Rei".
   E a crítica especializada afirma que a nova versão é bem melhor do que a primeira. Os irmãos Coen dão total leveza com a direção, pois mantém o espírito cômico do livro de Portis, incluem trechos do livro que não foram filmados em 1969, embora tenha sido alterado um pouco o contexto geral do enredo. Haliee é muito mais carismática que a primeira atriz.
  Com figurinos condizentes à época do faroeste, fotografia que proporciona excelentes momentos de apreciação rico em detalhes, direção de arte bastante apropriada, "True Grit", produzido em 2010, tem direção e roteirização adaptada dos Irmãos Coen, direção de fotografia de Roger Deakins, direção de arte de Stefan Dechant e Christina Ann Wilson, figurinos de Mary Zophres, trilha sonora de Carter Burwell, com duração aproximada de 110 minutos, incluindo os créditos finais.

Texto: Ricardo Montalvão

Referências:

Welcome To Burlesque


   E o filme escolhido é “Burlesque”, escrito e dirigido por Steve Antin.
  Uma pausa dramática. Vale lembrar que a pronúncia correta do título do filme é Burlesque, e não como brasileiro metido a falar inglês gosta de falar ‘Burlésque’. Embora na segunda música Cher pronuncie ‘Burlésque’, ouvindo as demais, percebe-se que é por mera entonação.
  “Burlesque” conta a estória da jovem Alice (Christina Aguilera), mais conhecida como Ali, que sai de sua cidade natal Iowa e parte em direção a Los Angeles a fim de tornar-se uma cantora de sucesso. Após participar de diversos testes para tal profissão, eis que ela encontra o clube Burlesque, localizado na melhor vista panorâmica de Sunset Trip, que tem como atração principal mulheres lindas, vestidas com roupas provocantes, que dançam e cantam com playback. O clube é comandado por Tess (Cher) e que tem como seu fiel escudeiro Sean (Stanley Tucci). Tess é separada do seu marido Vince (Peter Gallagher), embora ambos continuem sócios do empreendimento.
  Ao chegar na boite, Ali conhece Jack (Cam Gigandet), barman do local que a encaminha a Tess, a fim de que a moça atinja o seu objetivo. No entanto sem sucesso com a dona do local, Ali, resolve pegar uma bandeja e começa atender aos clientes por conta própria. Essa audácia da jovem, embora reprovada por Tess, faz com que a aspirante a cantora comece a trabalhar no local. Os dias passam e a personagem de Aguilera vai decorando músicas e coreografias dos números que são apresentados, e que com o afastamento de Georgia (Julianne Hough), por estar grávida, abre-se uma audição e é quando Ali aproveita a oportunidade. Ela sobe ao palco, dá seu show à contra gosto da proprietária, no entanto Tess resolve contratá-la.
  Porém o clube Burlesque tem mais uma baixa em seu corpo de baile. Nikki (Kristen Bell), por beber sem limites, é proibida por Tess de se apresentar. Alice é então chamada para substitui sua colega de trabalho. Entretanto, no meio do espetáculo, Nikki desliga o som, para que Ali fosse prejudicada. O que ela não imaginava é que dentro da garganta de sua rival, existe uma voz fenomenal que ao ecoar pelas paredes do Burlesque, o publico aplaude, bastante entusiasmado, a performance da novata do grupo. Voilá! Alice assim estoura com um sucesso absurdo e o clube, que está prestes a fechar suas portas e ser leiloado, volta a ter suas mesas lotadas.
  E é nesse caminho que o filme conta a estória de Alice e Tess, empregada e patroa, que se tornam grandes amigas e conseguem salvar o Burlesque da falência.
  “Burlesque” marca o surgimento da cantora Christina Aguilera como atriz. E devo afirmar que nos padrões do gênero musical ao qual o filme se enquadra, Aguilera desempenhou bem sua função. Como cantora, a moça tem uma carreira, digamos que, estável, lançando seus CDs, que fazem sucesso pelo mundo a fora. Não discuto aqui se o estilo musical dela é bom ou não. Afinal não sou crítico e muito menos de música. Reafirmo apenas, que ela está convincente e deslumbrante no seu papel. Como diz a personagem de Tucci “Alice. Bem vinda ao país das maravilhas”, e ela faz sim de Burlesque, juntamente com, a consagrada atriz e vencedora de Oscar, Cher, um país das maravilhas.
  O que falar de Cher? Há mais de 40 anos em carreira artística, entre aposentadorias e retornos triunfantes, nossa querida Tess, está também fantástica. Embora, não receba tanto destaque musical e coreográfico no filme. Ela só interpreta duas músicas. A primeira “Welcome To Burlesque”, em que canta e dança, e a segunda “You Haven’t Seen The Last Of Me”, com uma performance bem estática, sentada em uma cadeira, e que quando está de pé, não dança tanto. A de se frisar que a música narra a passagem sofrida de Tess com o provável fechamento do clube, portanto não necessita de uma performance coreográfica exigente. Essa canção levou para casa o Globo de Ouro de Melhor Canção Original de 2011. O papel de Cher, não é de tanto destaque, pois como fala o próprio subtítulo do filme “É preciso de uma lenda para ser fazer uma estrela”, a lenda é Tess e a estrela a ser feita, a ser construída, é Alice.
  Vale mencionar aqui as atuações de Tucci, pelo excelente ator que é, à de Peter Gallagher, como o ex-marido desesperado em vender o Burlesque para o rico e famoso empresário Marcus (Eric Dane), a atuação de Gingandet, que formará par romântico com Aguilera, mas sem esquecer-se do querido e divertido Alan Cumming, que interpreta Alexis, bilheteiro da boite. Contudo, devo lamentar que não entendo o motivo pelo qual escalaram Cumming, já que só deram duas cenas a ele. Uma lástima!
  Em “Burlesque” podemos notar citações e inspirações em diversos filmes. Sua inspiração maior é no filme “Chicago” de Rob Marshall, em seus números musicais, em movimentações coreográficas que se assemelham às desse filme de Rob e até mesmo na ambientação de cabaré. Há também inspiração no filme “Show Bar”, quanto à estória de uma jovem do interior que segue rumo à cidade grande em busca de fama, e sem esquecer-se do próprio filme “Nine”, também de Marshall. Já quanto às citações, temos o numero musical “Diamonds Are A Girl’s Best Friend”, que cita a interpretação de um numero musical semelhante que a estonteante Marilyn Monroe faz no filme “Os Homens Preferem As Loiras” de Howard Hawks; ao filme “Moulin Rouge” de Baz Luhrmann, no momento em que Aguilera está com seu cabelo a la “Lady Marmalade”; ao filme “La Mome Piaf” de Olivier Dahan, quando Christina está cantando “Bound To You”, em que é filmada de costas e a luz frontal, tomando uma posição de contra-luz, devido à localização da câmera, menciona a cena em que Piaf, após saber da morte de Marcelo, o seu primeiro grande amor, adentra um palco cantando “L’Hymne A L’Amour”. E a ultima citação que consegui captar, na verdade não é a ultima por ser na primeira metade do filme, é a cena em que Ali está andando de motoneta com Jack, em que tem um lenço enrolado na sua cabeça e com o vento, o adereço acaba voando. É uma cena bastante clássica, no entanto, infelizmente, não me recordo do filme. Se alguém conseguir identificá-lo, por favor, esteja à vontade em mencionar.
  “Burlesque” conta com cenários e figurinos majestosos, que nos levam à verdadeira época, em que esse gênero musical era realmente um estrondo nos Estados Unidos. Sim, Burlesque é um tipo de musical em que mulheres belíssimas e com roupas bem provocantes e sensuais dançavam e cantavam dublando grandes artistas femininas da época nos Estados Unidos. O que é fielmente mostrado por Antin nos números musicais, cenários e figurinos do clube. As direções de arte e fotografia também não ficam por baixo. Em seus enquadramentos, a fotografia, enriquece ainda mais o destaque das vestimentas e dos objetos cênicos, que são mostrados em cena, pela direção de arte, para que transportem o telespectador para a época em que o Burlesque era a sensação musical.
  É possível encontrar alguns probleminhas no filme. O ritmo de resolução das problemáticas é bem rápido. O que nos faz crer que a batalha pelo sucesso é extremamente fácil. Há dois erros de continuidade, como por exemplo, na sequencia em que Cher faz a maquiagem de Aguilera. Tess começa a passar um batom claro na moça, em um take, e no seguinte, Christina aparece com a boca já produzida com um, bastante, vermelho. E o segundo erro é quando Tess faz, do documento de aviso prévio de despejo, um aviãozinho de papel e lança quando Sean entra em sua sala. É visível que quando ela arremeça o objeto ele vai em direção ao chão, e quando focalizam Tucci entrando, o pequeno avião tem um vôo espetacular. Há quem diga que a sequencia de cenas em que Ali ouve as músicas dos números musicais do Burlesque e começa a decorar as coreografias pelo meio das ruas, seja algo fora da realidade e exagerado, mas para quem dança isso é algo bastante normal. Ou talvez, não fora de contexto, já que é comum entre dançarinos e bailarinos acordar no meio da noite para repassar variações de coreografias.
  “Burlesque”, produzido em 2010, foi escrito e dirigido por Steve Antin, figurinos de Michael Kaplan, direção de arte de Chris Cornwell, direção de fotografia de Bojan Bazelli, trilha sonora original de Chistophe Beck, com aproximadamente 119 minutos, incluindo os créditos finais.

Texto: Ricardo Montalvão

  Referências:

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Os Vencedores


  O filme escolhido para hoje é "The Fighter", que em português recebeu o título "O Vencedor" de David O. Russell.
  "O Vencedor" trata da história de vida do lutador Dicky Ecklund (Christian Bale), um famoso lutador de boxe na década de 70 do século passado, que se afundou em seu vício pelo crack, tornando-se decadente e esquecido. Décadas depois a HBO resolve fazer um filme sobre ele, o que movimenta toda a família em prol de uma suposta volta de Dicky aos ringues. O problema é que esse video não trata-se de uma produção benéfica para Ecklund, mas sim um documentário em que mostra a realidade de um usuário de crack. Mas o real motivo, não é empecilho para a sua família provocar um alarme na cidade.
  Em contrapartida, o filme fala da história do irmão mais novo de Dicky, Micky Ward (Mark Wahlberg). Ward aprendeu tudo com seu irmão Ecklund, no entanto não obteve tanto sucesso como o primogênito masculino da família. Após 10 anos de carreira mal sucedida, Micky muda de empresário e treinador, o que dá uma guinada de 360° em sua vida profissional, que tem a contribuição também de sua nova namorada, Charlene Fleming (Amy Adams). Juntamente a eles dois existe a figura materna, e talvez meio descompensada, de Alice (Melissa Leo), uma mãe que ignora os problemas de vício do seu filho Dicky,  em nome do grande amor que tem por ele, subestima o outro filho Micky, além de ter parido cerca de 6 filhas. Sem esquecer que ela é também a empresária de seus dois filhos boxeadores.
  Ward se envolve amorosamente com Charlene, que é quem começa a centrar a vida do rapaz. O que é levado como um afronte pela família do mesmo. No entanto, se não fosse a jovem Fleming, boa parte dos novos acontecimentos na vida da personagem de Mark, não teriam ocorrido. Ward aceita um novo empresário e um novo treinador, o que tira dessas ocupações Alice e Dicky, respectivamente. Ele tem o seu irmão preso, e resolve visitá-lo. Ao contar o novo rumo de sua vida para Dicky e seus planos de futuras lutas, o irmão viciado começa a lhe dar dicas sobre como Ward derrotar os próximos adversários. Chateado com o seu ídolo, a parsonagem de Wahlberg vai embora da prisão aos berros. Contudo em cima do ringue e apanhando bastante, ele resolve seguir os conselhos de Ecklund, que o fazem ganhar as lutas. Essa rendeção ao raciocínio astuto de seu irmão, faz Micky trazer a participação de sua família novamente à sua carreira.
  Bom, "O Vencedor" trata de uma bela história entre dois irmãos, o ídolo e o seguidor, e a bravura da matriarca, e todas as dificuldades enfrentadas para que se alcance uma melhoria de vida. Está certo, o filme atinge bastante o seu objetivo, que não é o de fazer o publico sair choroso da sala de cinema, mas refletir, através do que seria a nova catarse proposta por Brecht, sobre até que ponto se vai um amor materno e um fraterno e suas intromissões em uma vida alheia, independente de fazerem parte da mesma família. É sim, um filme bastante tocante nesse aspecto, como também no comportamento de pessoas de uma mesmo seio social, que por não saberem lidar com os problemas físicos e psíquicos de um dependente químico, fingem não saber do assunto. Em contrapartida até os primeiros 55 minutos de exibição, o filme é cansativo e tediante pela ênfase absurda ao documentário que estão gravando sobre Dicky. Certo que concordo que se mostre isso no filme, já que é um fato importante na vida desse ex-boxeador e viciado em crack, mas o roteiro têm histórias paralelas tão importantes quanto que ficam apagadas até esse momento, o que torna massante a linguagem meta-linguística presente na película.
  Passados esses primeiros 55 minutos, o filme toma uma nova roupagem, muito mais atraente e instigante, o que faz o telespectador adentrar ainda mais nessa espécie de catarse racional. O foco narrativo muda de direção. Ao invés de ser voltado para Dicky, é seu irmão Micky que toma conta das emoções do publico presente na sala de cinema. A construção de um novo rumo para a carreira da personagem vivida por Mark, dá o que dizemos de um "up" na película. A produção fica dinâmica, envolvente, intrigante, desafiadora para quem assiste, provocando, até quem sabe, alguns pulos na poltrona do cinema e também, talvez, até alguns socos e ganchos ensaiados, como se fosse possível auxiliar Micky ganhar as lutas. Ao meu ver, é a partir desse momento que o filme ganha vida e merece, sim, as indicações ao Oscar e prêmios recebidos nos mais importantes festivais de cinema no mundo.
  "The Fighter" teve 7 indicações ao Oscar 2011, que algumas delas são as de Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Ator Coadjuvante com Christian Bale, Melhor Atriz Coadjuvante com Amy Adams e Melissa Leo, Melhor Roteiro Original, Melhor Montagem. Ele recebeu também o Globo de Ouro de 2011 nas categorias de Melhor Ator Coadjuvante e Melhor Atriz Coadjuvante e o prêmio Screen Actors Guild Awards, do Sindicato de Atores de Hollywood, também nas categorias de Melhor Ator Coadjuvante e Melhor Atriz Coadjuvante.
  Voto em Bale e Leo como os melhores atores coadjuvantes desse ano, sim, a ganharem o Oscar 2011 nas respectivas categorias. Eles simplesmente dão um banho de interpretação com suas atuações e mostram a excelente qualidade profissional que têm, e não frustram nas prováveis expectativas do diretor e muito menos na dos telespectadores. Quem quiser conferir o que afirmo, por favor dirija-se à sala de cinema mais próxima e se deleite com o filme e a interpretação de ambos. Entretanto não posso deixar de frisar a também atuação do polêmico ator e cantor Mark Wahlberg. É da história que sua personagem conta, que o filme adquire um novo ritmo.
  "O Vencedor", produzido em 2010, tem direção de David O. Russell, roteiro de Scott Silver, Paul Tamasy e Eric Johnson, direção de fotografia de Hoyte Van Hoytema, direção de arte de Laura Ballinger, musica de Michael Brook, figurinos de Mark Bridges e tem duração aproximada de 114 minutos, incluindo os créditos finais.

Texto: Ricardo Montalvão


  P.S. (Direito de Resposta):
  Venho esclarecer aos desinformados que fazem acusações à minha pessoa de reproduzir pensamentos alheios sobre os filmes que posto nesse blog, fica a informação de que as referências citadas, servem apenas como embasamento teórico dos verdadeiros críticos de cinema no Brasil. A bibliografia serve apenas para nortear e dar credibilidade aos meus pensamentos, ou como explica o próprio nome do blog, às minhas impressões filmícas. Estudo Licenciatura em Teatro, além também de Dança Moderna e Contemporânea e Semiótica, portanto, desinformados, procurem ler a lateral direita do site, na parte "Perfil", para perceberem de onde tiro minhas conclusões que são postadas aqui. É um blog pessoal sim, apenas não nego informações teóricas para escrevê-lo. Sou completamente a favor de uma teoria, ou idéia, concreta de quem entende de cinema, para então expor o que penso. Como afirmo na descrição do blog, aqui não são postadas críticas, apenas as minhas impressões. Afinal de contas, eu não sou crítico de cinema e nem pretendo ser. Somente alguém que tem um apreço grande por esta arte.
  Ah! E a minha preferência por filmes, indicações e prováveis ganhadores, é algo pessoal, como o próprio blog é e a expressão " minha preferência" deixa claro, com o auxílio enfático do pronome possessivo utilizado anteriormente ao substantivo feminino. No entanto, divido a pessoalidade do blog, na área de comentários, a vocês leitores. Eu preferir uma atriz de um filme, não quer dizer que outra de película diferente não tenha sua importância, mas apenas que uma delas me agradou
  Obrigado, e peço desculpas aos leitores que têm consciência do propósito do nosso blog, pelo esclarecimento aos desinformados.
  Att., Ricardo Montalvão.

Referências: