terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Cold Mountain em chamas.




  Após 9 meses sem novas postagens, devido à minha vida ter sido direcionada e dedicada à minha formação em Licenciatura em Teatro, pela Universidade Federal de Sergipe, eis que prestes a entrar de férias e com a necessidade de fazer uma relação sobre a indumentária do século XIX e os figurinos usados no filme, a película de hoje é "Cold Mountain" de Anthony Minguella, que em português recebeu o mesmo título.
  Iniciaremos com a sinopse do filme, em seguida faremos uma explanação dos movimentos artísticos e arquitetônicos da época, para que no final se possa entender a relação entre essas produções e a indumentária do século XIX.
  “Cold Mountain”, produzido em 2003, se passa nos Estados Unidos de meados do século XIX, mais precisamente se inicia em 1864 e permeia o ano mencionado, como também um passado recente de três anos antes, e conta a estória de Ada Monroe (Nicole Kidman), que ao se mudar de Charlinsgton para Cold Mountain, pois seu pai, o reverendo Monroe (Donald Sutherland), é encarregado de chefiar a igreja daquele local, conhece Inman Balis, por quem se apaixona instantaneamente. Tudo iria muito bem, se não fosse o contexto histórico em que o filme se passa durante todo o percurso da Guerra Civil Americana, o que acaba por levar Inman de Ada para a guerra. Logo depois o pai de Ada morre e ela fica à deriva naquela cidade, sem ninguém para ajudá-la a cuidar de sua fazenda, sem dinheiro, tendo que pedir comida aos moradores da cidade, para que possa sobreviver.
  Após sofrer bastante, Ada recebe a visita de Ruby (Renée Zellweger), mandada por sua amiga Sally Swanger (Kathy Baker), para ajudar a cuidar da fazenda e a partir daí cria-se uma relação de amizade muito forte entre as duas. Enquanto isso Ada espera, veementemente, Inman voltar da guerra, para poder viver o grande amor que tem por ele. Ele, por sua vez, demonstra o mesmo sentimento por ela, já que resolve fugir da guerra e voltar para a sua amada.
  Durante este século no âmbito das artes plásticas, seguir um estilo não era a tendência, não havia um estilo definido; mudou-se o conceito de arte para o de Arte, ao mesmo tempo em que ela passava a se basear na teoria expressionista da Arte, ou seja, a arte como expressão da personalidade, dos sentimentos; o artista decidia o que produzia, fazendo com que a figura do mecenas desaparecesse, com isso houve a comercialização da Arte, e as escolas do Impressionismo, Romantismo, que influenciou a indumentária da época, o teatro e a dança, e o Realismo, que teve forte participação no teatro, se constituíram na época; os artistas fazem as paisagens externas de seus ateliês, ou seja, a produção artística passa a ser em locais não convencionais, Paris se torna a capital artística, inaugurando o período da Belle Epoque e cria-se o estilo da Art Noveau, baseada em linhas sinuosas, inspiradas nas formas vegetais, de acordo com o livro “História da Arte” de Gombricht. Já na arquitetura, não se possuía um estilo próprio e iniciam-se as construções em larga escala, o que na indumentária será visto no século XX com a criação do Pret-a-Porter, roupa padronizada em larga escala.
  No teatro, o romantismo tem seu maior impacto no drama, na interpretação e realização cênica, embora “O teatro (...), veio a ser nesta época associado às técnicas de palco e padrões sociológicos e organizacionais, cujos princípios parecem, à primeira vista, ter escapado a qualquer influência saliente de movimento romântico.” (BERTHOLD, 2005, p. 430). A comercialização da arte não fica restrita apenas às visuais, atinge também a teatral, tantp que Shakespeare é traduzido, pela primeira vez, e ganha toda a Europa. Já o teatro realista deveria desnudar o abuso social e discutir o relacionamento entre ser humano e sociedade, se tornando um teatro útil, de acordo com as palavras da autora Margot Berthold em seu livro “História Mundial do Teatro”, na pagina 441. Esse período foi marcado por longas temporadas, festivais de teatro e pelo uso da iluminação com luz à gás e tochas.
  Na dança, o romantismo imperou. A busca pelo amor inatingível levou à criação das sapatilhas de pontas, que só deveriam ser usadas pelas mulheres, a fim de desafiar o equilíbrio, ao mesmo tempo, manter uma figura leve, livre, intocável, admirada, quista, amada, mas que esse amo jamais seria concretizado no âmbito terreno, mas sim no âmbito celestial. Portanto, o ballet romântico era direcionado para a leveza da bailarina. Houve a liberação do movimento dançado, não havia uma técnica, mas sim um estilo, com isso a fluência energética era continua, sem interrupções. Surgem então os ballets de repertório, ou seja, ballets que contavam estórias, com começo, meio e fim, e que jamais seriam mexidos, quanto às sequencias de movimentos. Isso significa que eles se tornaram obras de comparação e, principalmente, verdadeiras obras de arte que, se alteradas, perderiam seu valor. Marcus Petipá vem então para tecnicizar o ballet romântico, tendo como intuito uma boa execução dos movimentos e não mais era importante a comoção, a catarse, por parte do publico. O que gera, com isso, a decadência do ballet romântico.
  Depois de explanar o contexto histórico do século XIX, além de expor uma visão sobre a produção artística e arquitetônica da época, passo, nesse momento, à análise do figurino do filme “Cold Mountain”, de acordo com a pesquisa feita, por mim, sobre a indumentária do século XIX. Vale ressaltar que como o filme se passa em 1864, me deterei à essa época do período histórico estudado.
  No começo do filme, Ada, moça rica, filha de um pai reverendo, sai de Charlinsgton e vai para Cold Mountain, cidade simples, povoada, basicamente, de camponeses. Nesses momentos pode-se notar uma diferença gritante entre as vestes da Srta e do Sr Monroe. Ela possui vestes compatíveis ao seu nível social, utilizando creolinas de armação, um suporte de 8 aros de aço, com aparência de uma gaiola, que era preso à anágua, uma saia, geralmente, branca que ficava a baixo do vestido, além de ceroulas de algodão que serviam para cobrir as pernas, caso o vento levantasse as saias, além de corpetes bem justos e bem decotados que deixavam à mostra os seios, os ombros e parte dos braços. O traje feminino da época variava entre a frivolidade ao comportado, informações encontradas no livro “A Evolução da Indumentária” da autora Marie Louise Nery. Além disso, as mulheres se vestiam como queriam, de acordo com seu gosto e suas necessidades. Um adereço bastante comum na indumentária da época, e visto também durante a primeira metade do filme, são os chapéus-boneca, que deixavam à mostra a parte frontal do rosto feminino. De acordo com a autora Marie Louise Nery, o leque, o guarda sol, que era usado fechado devido aos voluptuosos chapéus, as bolsas pequeninas, jóias em forma de pulseira e broches de camafeu, apliques sintéticos de cabelo, pentes tartarugas e botinhas de cano alto, com saltinho, que ficaram no lugar das sapatilhas, eram acessórios femininos dessa época.
  Já as camponesas não usavam as creolinas, portanto suas saias eram de corte reto e tecido ondulado, além de seus aventais, já que eram donas de casa e cuidavam de suas hortas e seus animais também, ao contrário de Ada na fase inicial da película, a cintura dos vestidos já havia deixado de ser abaixo dos seios e já se encontrava em seu lugar anatômico, a cima dos quadris, e na cabeça usavam lenços, no estilo dos chapéus-boneca, que também só deixavam à mostra a parte frontal do rosto.
  A personagem Ruby é bastante peculiar. Uma mulher com comportamentos, ditos na época, masculinos quando a intenção era se proteger, construir sua própria vida, já que seu pai a abandonara quando era pequena, portanto, instinto de sobrevivência, sabia usar espingardas, matar bichos, porém bastante feminina, já que mantinha os dotes de uma mulher pronta para casar, de acordo com a época. Ela se vestia como camponesa, mas possuía um chapéu masculino, que mais tarde se transformaria no famoso chapéu coco, formato redondo na cabeça e com abas levemente curvadas para cima, usado pelos homens no final desse século.
  Ainda nessa fase do filme, os homens ricos, como por exemplo, o Sr Monroe, se vestiam com ternos feitos com tecidos de alta qualidade, relógios presos a correntes de ouro, óculos para leitura que não eram presos às orelhas, e sim no próprio nariz, relógios de ouro, sapatos de boa qualidade, enfim, os nobres tinham condições financeiras de sustentarem seus luxos, inclusive na indumentária que usavam, tanto homens, quanto mulheres. Os camponeses utilizavam suspensórios, assim como os nobres, porém de baixa qualidade, como também calças e espécies de paletós, além de uma blusa abaixo do suspensório, que no filme fica visível a inferioridade do tecido usado, suspeito que fossem feitas de algodão barato. Ou também, simplesmente, blusas de mangas compridas e calças de tecido de qualidade bem duvidosa.
  Após a chegada de Ruby em sua fazendo, Ada passa a aprender como sobreviver, como cuidar de sua casa, enfim, passa por uma reviravolta em seu formato de vida de moça rica e dondoca. Sendo assim, aquele estilo de roupa enorme, pesada e que diminuía seu movimento corporal, dá lugar às vestes de uma camponesa, no entanto, sem perder tanto o seu ar de requinte, através da boa qualidade dos tecidos, tanto de seus vestidos, quanto de seus casacos. Seus cabelos que eram presos passam a ser solto, ela adquire os dons masculinos que Ruby incorporou em sua vida difícil, para que passe a ser respeitada pelos homens da região que não foram à guerra e abusavam de sua masculinidade, ou se no caso fossem os poderosos da cidade, de seu poder político ou judicial. A qualidade de vida na fazenda mudou, Ada não precisou mais viver à custa dos outros e, inclusive, sua auto estima melhora, deixando de ser uma mulher, totalmente, submissa aos caprichos masculinos, mas agora uma mulher forte, que impõe respeito e honra. No entanto, seu molde submisso ainda existia quanto a crer que Inman era o amor de sua vida e que a ele devia respeito, só que passou a ser algo bem menos perceptível, como foi falado há pouco. Ou seja, suas vestes passaram a ter total ligação com a nova fase de sua vida.
  Os trajes masculinos dos camponeses que lutavam a favor do estado da Carolina do Norte, ou seja, contra o governo, que são apresentados durante a guerra, não fogem tanto ao que já foi mencionado, em relação ao dos camponeses. No entanto, o traje era de cor verde musgo, para facilitar a camuflagem na vegetação para que não fossem vistos pelos inimigos. Já os dos soldados do governo estado unidense eram azuis, com medalhas que imponham respeito de acordo com sua condecoração e posto no exército oficial do país. Ambos os exércitos, tanto o oficial do país, quanto o do estado da Carolina do Norte, utilizavam blusas brancas, por debaixo dos casacos, que eram espécies de paletós, se comprarmos essas vestes com ternos.
  Sendo assim, nossas impressões de hoje, são na verdade uma análise do figurino do filme, como também uma explanação geral de como eram as produções artísticas do século XIX, fugindo um pouco dos comentários tradicionais sobre atuação, fotografia, música, iluminação, entre outras áreas filmográficas.
  "Cold Mountain", produzido em 2003, tem direção e roteiro adaptado de Anthony Minguella, baseado no livro de Charles Frazier, fotografia de John Seale,  música de Gabriel Yared, direção de arte de Maria-Teresa Barbasso, Pier Luigi Basile, Robert Guerra, Christian Niculescu e Luca Tranchino e figurinos de Carlo Poggioli e Ann Roth, e duração de 2 horas e 35 minutos, aproximadamente.

Texto: Ricardo Montalvão

REFERÊNCIAS

COLD MOUNTAIN. Direção de Anthony Minguella. Inglaterra. Intérpretes: Nicole Kidman, Jude Law, Renée Zellweger, Natalie Portman, Philhip Symour Hoffman e outros. Miramax Films e Buena Vista International. 2003. 1 dvd (155 minutos): son. Color. DVD.
_________________. Disponível em http://www.adorocinema.com/filmes/cold-mountain/. Acessado em o7 de dezembro de 2011.
_________________. Ficha técnica e Premiações. Disponível em http://www.adorocinema.com/filmes/cold-mountain/ficha-tecnica-e-premios/. Acessado em 07 de dezembro de 2011.
BERTHOLD, Margot. História Mundial do Teatro. Perspectiva, São Paulo, 2005.
BOURCIER, Paul. História da Dança no Ocidente. Martins Fontes, São Paulo, 2006.
GOMBRICH, E. H. A História da Arte. LTC, Rio de Janeiro, 1999.
LAVER, James. A Roupa e a Moda – uma história concisa. Companhia das Letras, São Paulo, 2010.
NERY, Marie Louise. A Evolução da Indumentária: subsídios para a criação de figurino. Senac Nacional, Rio de Janeiro, 2009.
SÉCULO 19. Disponível em http://www1.uol.com.br/bibliot/linhadotempo/index5.htm. Acessado em 08 de setembro de 2011.

quarta-feira, 2 de março de 2011

And Oscar goes to...


  E Oscar vai para...
  Como já havia pensado, porém com a sugestão do meu professor e orientador Roberto Laplagne, hoje falaremos sobre a grande premiação do cinema mundial que ocorreu no último dia 27. Mas colocaremos aqui um parecer pessoal, estritamente pessoal, sobre os principais prêmios daquela noite.
  O Oscar como todos sabem, nem sempre é padrão de qualidade, porém é o mais importante prêmio, no sentido de fama, do cinema mundial. Os vencedores carregam seus louros pelo resto de suas vidas por adquirirem a bela estatueta de ouro.
  Façamos da seguinte forma: falaremos os filmes e as categorias as quais ganharam, certo.

  "Alice no País das Maravilhas", do diretor Tim Burtom, venceu nas duas categorias que disputava. Foi a Melhor Direção de Arte e o Melhor Figurino de 2011. Bom, Alice é o filme chato, cheio de problemas no roteiro, em que faltando 30 minutos para o final do filme, a jovem heroína descobre quase que 'milagrosamente' todas as soluções de seus problemas e, portanto acaba salvando o mundo. Burtom quis contar muita estória em pouco filme e acabou se perdendo. No entanto, a direção de arte e o figurino foram, sem dúvidas, os melhores. A fantasia criada, pelas equipes vencedoras do Oscar, faz com que seus telespectadores se livrem de tabus contra uma viagem ao mundo fantasioso de Alice e mergulhem em toda a magia que existe nos dois livros que narram a saga da jovem. É uma viagem em que não se deseja voltar dela, por mais que a película chegue ao seu final.
  "A Origem", do diretor Christopher Nolan, levou os prêmios de Melhor Fotografia, Melhor Edição de Som, Melhor Mixagem de Som e Melhor Efeitos Visuais, que venhamos e convenhamos, não haveria ali outro concorrente capaz de levar essas categorias. Um filme completamente técnico em sua produção, com intuito de levar o telespectador, também, a uma viagem quase sem volta. O seu roteiro foi tão bem costurado, que se houver erros são quase imperceptíveis a olho nú, que quem o assiste passa as suas 2 horas e 30 minutos preso, praticamente sem piscar os olhos, a fim de descobrir que destino será reservado à personagem de Leo Di Caprio, como também os de seus colegas de trabalho. "A Origem" que é um sonho dentro de um sonho, dentro de outro sonho, em busca de consertar uma realidade, apresentada inicialmente no filme, que você descobre ser um outro sonho, e que o que seria dito de realidade está introduzida nesse emaranhado de sonhos e possibilidades, que entender a película, de preferência não respire muito fundo, porque até aí você já terá perdido detalhes fundamentais da compreensão do roteiro. Sem esquecer de mencionar a incrível catarse que causa ao público sobre o questionamento de que você viveria mesmo uma realidade, ou tudo que está ao seu redor é a projeção de um sonho, o qual você não consegue se desligar mesmo que esteja acordado(a)? Fica a resposta para quem se identificar com a pergunta.
  "A Rede Social" de David Finher, levou Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Trilha Sonora e Melhor Montagem. Ao meu ver foram prêmios injustos. Um filme que é chato, tem o ritmo de seus diálogos comparados ao que seria a velocidade de troca de dados da internet, que com isso, ou você presta atenção nas imagens, ou nas legendas, e como já disse antes, creio que nem pessoas que entendam inglês, conseguiram compreender o que se é dito, tamanha rapidez nas falas. Um filme que te causa angústia, já desde o seu primeiro minuto, para que ele termine e você possa sair da sala do cinema ou do sofá de sua casa, com uma montagem básica, sem tantas coisas surpreendentes, afinal montagem que não segue a ordem cronológica, não é o descobrimento da pólvora. Vários filmes fizeram isso, e "A Rede Social" não inventou nada e nem fez de forma sensacional. Melhor Trilha Sonora? Oi? Como assim? Com trilhas bem melhores, os seus concorrentes perderam? Coisas do Oscar, que como já mencionei, não é padrão de qualidade. Quanto a ser o Melhor Roteiro Adaptado, os filmes "Bravura Indômita", "Toy Story 3" e "Inverno da Alma", tiveram seus roteiros construídos melhor do que o que ganhou a estatueta.
  "O Vencedor" de David O. Russell, levou Melhor Ator e Melhor Atriz Coadjuvante. Os únicos mesmo que poderia ganhar. Bale e Leo, de fato, foram os melhores que disputaram a categoria. Embora, por ser desconhecida, a atriz Jackie Wiever, que concorreu com Leo, e o ator Jeremy Renner, que concorreu com Bale, estão memoráveis em suas atuações nos seus respectivos filmes "Reino Animal", para ela, e "Atração Perigosa, para ele. O filme de Russell se tivesse ganho nas demais categorias, seria uma tremenda injustiça com os demais competidores. Entretanto, de injustiças a Academia está cheia. Mas ainda bem que esse ano não foram tantas. Ah! Havia esquecido de mencionar que na categoria de Ator Coadjuvante, há de se levar em conta, principalmente, a atuação do carismático Geoffrey Rush, que fez Lionel Logue no premiado "O Discurso do Rei". Ele, sim, foi o meu favorito nessa disputa.
  "Cisne Negro" de Darren Aronofsky, assim como "O Vencedor" levou para casa a premiação que deveria levar. Natalie confirmou seu favoritismo e abocanhou a estatueta de Melhor Atriz de 2011. Uma atuação impecável, que tinha mesmo que ganhar essa categoria. Ela desempenha seu papel tão perfeitamente, que palavras aqui faltam para descrever e elogiá-la. Só mesmo assistindo ao filme, ou lendo sobre o filme, aqui em seu blog na postagem do dia 28/12/2010, para ter uma noção de como Portman faz seu trabalho. Todo o meu parabéns à ela por mais esse trabalho magnífico e que, finalmente, foi reconhecida, em termos de Oscar, por sua profissão, levando esse prêmio. No entanto, vale ressaltar que mais uma vez, Nicole Kidman disputou a mesma categoria, dessa vez pelo filme "Reencontrando a Felicidade", em que desempenha sua profissão de maneira singular, bela, profunda e artística.
  "O Lobisomem" de Joe Johnston, embora não tenha comentado aqui sobre ele, mas como assisti na época que esteve nas salas de cinema, posso afirmar que outro concorrente teria como ser a Melhor Maquiagem de 2011. Por mais que o filme seja bastante escuro, recurso geralmente usado para esconder os defeitos técnicos das produções cinematográficas, a maquiagem para transformar Benicio Del Toro no homem lobo é fantástica. E por isso, deveria, sim, ter ganho mesmo.
  "Toy Story 3" de Lee Unkrich, mesmo não tendo visto, e conseqüentemente não sendo comentado em nosso blog, dizem os telespectadores que o viram, que não havia ninguém melhor para levar o prêmio de Melhor Animação em Longa-metragem de 2011, do que ele. Além dessa categoria, ele também abocanhou o prêmio de Melhor Canção Original. Fica aqui a dica para eu e as demais pessoas assistirem ao filme, para poder avaliar se valeu a pena mesmo ter levado as duas categorias.
  E agora o grande vencedor da noite, o filme "O Discurso do Rei", de Tom Hooper que carregou para casa as principais categorias do Oscar 2011. Eleito como Melhor Ator, Melhor Roteiro Original, Melhor Diretor e, principalmente, Melhor Filme de 2011, por mais que tenha empatado com "A Origem" na quantidade de prêmios, a noite foi mesmo de Hooper e sua equipe. Agora vêm as ressalvas. Colin Firth foi eleito como Melhor Ator, dizem as más línguas, mais por ser um prêmio de consolação, pois perdeu a disputa na mesma categoria no ano anterior. Particularmente, embora não concorde com a vitória de Bridges em "Coração Louco" como Melhor Ator de 2010, também não vejo porque se Firth viesse a ganhar. "Direito de Amar", o qual Firth participou no ano passado, não tem nada demais e sua atuação a mesma coisa. Porém, como o Rei George VI, ele arrebentou a boca do balão, como diz minha mãe, e fez por merecer, completamente, o prêmio. Quanto a ser o Melhor Roteiro Original do ano, embora estivesse torcendo por "A Origem", ao menos os demais não levaram também. Certo, com meu favoritismo à parte, o filme tem um roteiro impecável, sim. Sou obrigado a reconhecer! Com uma direção, bastante exigente no trabalho com seus atores, deveria sim levar o prêmio. E por fim, o prêmio mais esperado da noite, a eleição dele como sendo o Melhor Filme de 2011. Dentre todos que disputaram a categoria, ao meu ver, depois do de Nolan, "O Discurso do Rei" foi o único a altura de levar para casa essa premiação. Volto, portanto, a frisar que meu favorito continua sendo, ainda, "A Origem", mas como ele é um filme bastante revolucionário e a Academia, extremamente, conservadora, era de se imaginar que o Christopher ficasse, mesmo, apenas com as categorias técnicas.
  O Melhor Documentário do ano foi "Trabalho Interno", como sempre o Brasil perdeu mais uma vez. O Melhor Documentário em Curta-metragem foi para "Strangers no More"; O Melhor Curta-Metragem foi "God of Love"; a Melhor Animação em Curta-metragem foi "The Lost Thing" e o Melhor Filme em Língua Estrangeira foi para "Em um Mundo Melhor".
  Quer saber mais sobre alguns dos filmes que concorreram às principais categorias do Oscar 2011? Então não deixe de ler A Gagueira do Rei, sobre "O Discurso do Rei"; E esse Mark, hein?, sobre "A Rede Social"; E esse pai, hein?, sobre "Minhas Mães e Meu Pai"; E o Cisne Voou, sobre "Cisne Negro"; A Origem dos seus pesadelos, sobre "A Origem"; Briga entre Leões, sobre "Reino Animal"; Atração (NADA) Perigosa, sobre "Atração Perigosa"; L'Amore Nei Vari Atti, sobre "Eu sou o Amor"; "Tinha uma pedra no meio do caminho", sobre "127 Horas"; Blue Valentine?, sobre "Blue Valentine"; O Inferno da Alma, sobre "O Inverno da Alma"; Hole's Kidman, sobre "Reencontrando a Felicidade"; A Bravura de Mattie, sobre "Bravura Indômita" e Os Vencedores, sobre "O Vencedor". Fique vontade e acesse, leia, comente, critique e sugira informações a mais sobre os filmes e, principalmente, quanto ao que você pensa e ao que foi escrito em relação a eles.

Texto: Ricardo Montalvão

domingo, 27 de fevereiro de 2011

A Origem dos seus pesadelos.


  E o último filme para a Maratona Oscar 2011 do nosso blog é "Inception", "A Origem" em português, do diretor Christopher Nolan.
  O filme narra a terrível culpa que Dom Cobb (Leonardo Di Caprio), especializado em roubar segredos valiosos do nível mais profundo do inconsciente humano enquanto as pessoas estão sonhando. Com isso ele acaba se tornando o criminoso mais procurado no mundo da espionagem. No entanto, eis que ele tem a oportunidade de rendenção e retornar à sua vida normal ao ser contratado por Saito (Ken Watanabe), com intuito de implantar na mente do jovem empresário Fischer (Cillian Murphy), para que ele divida a empresa do seu pai morto recentemente. Saito quer dominar a distribuição de energia no mundo, e a empresa dos Fischer se tornará seu principal concorrente.
  Enquanto todos crêem que implantar idéias não é viável, Cobb discorda e se propõe a provar a veracidade desse fato. Enquanto tudo isso está rolando, Cobb tem de enfrentar suas memórias fantasmagóricas com sua esposa Mal (Marion Cotillard). As lembranças de Mal têm a ver com a tenebrosa culpa que Dom carrega pelo final de seu casamento. Para essa empreitada extraordinária, ele convoca seus amigos Arthur (Joseph Gordon-Levitte), Ariadne (Ellen Page), que é aluna do curso de arquitetura que o pai de Dom ensina, e ela será a responsável por montar toda a fantasia concreta dos sonhos a serem invadidos, entre outros.
  O filme concorre a 8 categorias no Oscar 2011, Melhor Filme, Melhor Roteiro Original, Melhor Fotografia, Melhor Direção de Arte, Melhor Efeitos Especiais, Melhor Trilha Sonora, Melhor Som e Melhor Edição de Som. Concorreu ao Globo de Ouro 2011 nas categorias Melhor Filme de Drama, Melhor Diretor, Melhor Trilha Sonora e Melhor Roteiro. E concorreu no BAFTA ganhando nas categorias Melhor Direção de Arte, Melhores Efeitos Especiais e Melhor Som.
  Leo Di Caprio está completamente convincente em seu papel. Não haveria melhor intérprete para a personagem Dom do que Di Caprio. Marion com sua personagem Mal, traz uma intrigante angústia para quem assiste ao filme. Por qual motivo Mal está tão presente na vida de Dom enquanto ele dorme? Porque Mal traz tanto desespero e medo a Cobb? O que Dom fez a Mal para que a lembrança dela se torne um fantasma atordoante para ele? E essa dupla fará com que os telespectadores fiquem presos à película a fim de descobrir qual a ligação inconsciente que ambos têm. E Ellen Page está fantástica. Atriz de "Juno" e "MeninaMá.Com", repete mais uma vez uma excelente performance no filme.
  Com excelentes efeitos especiais, edição de som, som, trilha sonora, se prepare porque você não desgrudará nem um minuto da tela da televisão. Os takes em "slow motion" são os melhores. Destaco o primeiro em que Dom é jogado numa banheira cheia de água para que retorne do segundo estágio do sonho. E o segundo é o momento em que o forgão está prestes a cair dentro da água. Uma cena que na estória levaria 10 segundos, na duração do filme levam 27 minutos. Entre esse ato, ocorrem simultâneamente outros três que correspondem à profundidade dos níveis dos sonhos que atingem no inconsciente do jovem Fischer. São os melhores 30 minutos da película. Uma direção fenomenal de Nolan, edição fantásticas, você se viciará neste filme. Ah! Não posso esquecer da sequencia dentro do hotel, no segundo nível do sonho, que também tira o fôlego de qualquer um. Fiquem de olho nessas cenas citadas, caros leitores.
  "Inception", produzido em 2009, tem direção e roteiro de Christopher Nolan, trilha sonora de Hans Zimmer, fotografia de Wally Pfister, direção de arte de Frank Walsh, figurinos de Jeffrey Kurland, tem duração aproximada de 148 minutos, incluindo os créditos finais.

Texto: Ricardo Montalvão

Referências:
 

Briga entre leões.


  O filme é "Animal Kingdom", "Reino Animal" em português, do diretor David Michôd, que concorre ao Oscar 2011 na categoria Melhor Atriz Coadjuvante, e concorreu nessa mesma categoria também ao Globo de Ouro 2011, ganhou o prêmio de Melhor Filme Estrangeiro pelo Festival de Sundance de 2010.
  Joshua Cody (James Frecheville), carinhosamente chamado de "J" pela família, um jovem de 17 anos, tem sua mãe morta por overdose de heroína. Ele liga para sua avó Janine Cody (Jacki Weaver) dando a notícia, e ela, prontamente, acolhe o neto dentro de casa. O problema é que sua família materna tem uma longa ficha criminal por assaltos, assassinados, narcotráfico e por aí vai. Ele, que até então só havia ouvido as estórias pela boca da mãe, passa a viver e conviver diariamente com tudo isso. Aos 17 anos e com uma vida pela frente a ser construída e vivida, J arranja uma namorada, a jovem Nicole (Laura Weelwright), no entanto, pelo risco de vida que corre, por causa dos seus tios Darren Cody (Luke Ford), Barry Brown (Joel Edgerton), Craig Cody (Sullivan Stapleton) e Andrew Cody (Ben Mendelsohn), mais conhecido como "Pope", que alertam o garoto sobre o perigo que colocará a jovem Niccky se o namoro continuar. Ou seja, Joshua, não conseguirá mais viver tranquilamente sua vida. Em contrapartida a isso existe a figura do investigador policial Nathan Leckie (Guy Pearce), que se esforça para salvar J desse seio familiar, meio que desnorteado.
  James Frecheville desempenha muito bem seu papel de jovem perdido, após a morte da mãe, que em busca de uma vida familiar tranquila, se vê mais perdido ainda ao ir morar na casa da avó. Uma casa um tanto quanto com padrões sociais adquiridos de forma ilegal, numa junção de crimes, com indícios de um possível incesto entre a avó e seus tios. Tudo isso para a cabeça de um jovem, são coisas difíceis de absolver repentinamente. Excelente atuação, dentro dos moldes da direção, que transita entre uma normalidade e inconstâncias psicológicas perante à toda situação em que agora vive.
  Jacki Weaver, que concorre à Melhor Atriz Coadjuvante no Oscar 2011, mal aparece no filme. Com cenas instantâneas, quanto à rapidez de sua exibição, ela só recebe destaque mesmo já próximo dos minutos finais da película. A cena de destaque dela, talvez a que a fez disputar essa categoria, é quando ela vai com o advogado da família, no escritório do Detetive Randall Roache (Justin Rosniak), que tem o "rabo" preso com os Cody, e, indiretamente ironias à parte, sem chantagens escancaradas e de forma "bem sutil", ela o obriga a fazer o impossível para tirar seus filhos que estão na cadeia. Sim, a essa altura, Barry e Craig já foram mortos e Pope e Darren estão presos por assassinato. Ao meu ver, essa é também a melhor cena de todo o roteiro. Com personalidade fria e calculista, Janine constrói toda uma fortaleza de defesas incontestáveis a fim de retirar seus rebentos de trás das grades. E para isso, sua principal vítima e isca, será o jovem Joshua, que terá seu testemunho alterado e treinado por seus advogados corruptos, para convencer o juiz da inocência de Andrew e Darren.
  Com um roteiro, extremamente, típico e comum entre os filmes de perseguição policial, tráfico de drogas e assassinatos, a estória não tem grandes surpresas. No entanto, ela é contada a partir de um novo ponto de vista. Ao invés de ser de quem comete os crimes, é por um membro da família, que se vê perdido pela morte da mãe e, mais ainda, com toda essa novidade de um mundo criminal entre parentes. Destaco as cenas em que os enquadramentos são editados em "slow motion", a famosa "câmera lenta", com narrações de Joshua, contando as situações para que aquilo estivesse ocorrendo, ou que será gerado por aquela atitude. Essas cenas são, além da já mencionada no parágrafo anterior, as melhores, não só apenas por interpretação, mas também, na questão técnica de filmagem, montagem e edição de uma produção cinematográfica.
  "Animal Kingdom", um filme australiano, produzido em 2009, baseado em fatos reais sobre o tiroteio de Walsh Street, com direção e roteiro de David Michôd, fotografia de Adam Arkapow, trilha sonora de Antony Partos, direção de arte de Janie Parker e figurinos de Cappi Ireland, tem duração aproximada de 114 minutos, incluindo os créditos finais.

Texto: Ricardo Montalvão

Referências:

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Atração (NADA) Perigosa


  O filme é "The Town", "Atração Perigosa" em português, do diretor Ben Affleck, que concorre ao Oscar 2011 de Melhor Ator Coadjuvante, e disputou na mesma categoria no Globo de Ouro 2011, pela atuação de Jeremy Renner.
  Fala-se aqui de uma gangue que assalta carros fortes e bancos. Em um dos assaltos a banco, o escolhido é justamente o que Claire Keesey (Rebecca Hall) trabalha como gerente. Durante o assalto, Claire aciona o alarme silencioso, e ao descobrirem que a polícia está prestes a chegar, Doug MacRay (Ben Affleck), Jem (Jeremy Renner) e toda sua equipe, levam Claire como réfem, tendo como certeza de que nada acontecerá a eles, por causa da presença dela. Ao fugirem do banco, é deixado claro à Claire que nada será feito contra ela. Eles apenas mandam, ao abandoná-la na praia, que ela caminhe até sentir a água tocar em seus pés, para que tirasse a venda dos olhos.
  Como se não bastasse todo trauma causado à jovem, embora isso seja uma coisa que bandidos não estão preocupados, eles roubam a carteira de motorista de Claire e descobrem que ela mora nas redondezas que eles também habitam. Tem-se aí o embate pela caça à moça. Embate pois é Jem que quer perseguí-la, porém Doug não permite e ele mesmo faz esse trabalho. Entre perseguição e aproximação à vítima, desenvolve-se aí uma relação carinhosa e amorosa entre Doug, sequestrador, e Claire, sequestrada. Até então, a garota não descobriu. E é nesse jogo de cão e gato, que ambos se apaixonam um pelo outro, e é nesse perigo iminente da descoberta, que eles vivem sua paixão.
  Rebecca, que já foi analisada anteriormente aqui na postagem E esse quarteto amoroso, hein?, sobre o filme "Vicky Cristina Barcelona), está em xeque novamente. Com uma atuação, ao meu ver, inferior da que já discutimos aqui, ela vive uma gerente de banco, que foi sequestrada, e vive um princípio do que seria Síndrome do Pânico. No entanto, não deixou de sair de casa e, portanto, de ir trabalhar. Sua atuação continua nos moldes naturalistas, o que é comum em produções cinematográficas, porém, aqui ela não se destaca tanto quanto em Vicky Cristina Barcelona.
  Ben Affleck, que já recebu o Oscar de Melhor Roteiro de 1998, pelo filme "Gênio Indomável", e dirigiu em 2007 "Medo da Verdade" se lança aqui em um desafio maior ainda para sua carreira. Ele dirige e atua em sua obra. O filme tem uma direção de razoável à normal, sem grandes mistérios e sua atuação está digna do ator que é. Assim como Rebbeca, ele também está normal e sem expectativas maiores para o seu trabalho nessa película.
  Já Jeremy Renner, esse sim, surpreende por sua atuação. Não que ela tenha 'artefatos' teatrais mirabolantes, não! E tenho de me desculpar, já que há dois dias afirmei não entender a indicação, hoje digo que a indicação é justificável e até mesmo, quem sabe, louvável. Porém, meu favoritismo ainda é de Bale por "O Vencedor". Favoritismos à parte, a frieza necessária à sua personagem, é a característica que explica a indicação. Além de que é ele que segura o filme, com as cenas que participa. As cenas em que ele aparece com Affleck e Hall, sentados numa mesa de bar, e na que Doug e Jem discutem e saem no braço, seriam as que mais destaco e friso para que os telespectadores prestem bastante atenção, pois digo que justificariam a indicação dele.
  Com um roteiro bem previsível, se visto o trailler, o filme é algo comum, quanto a enredos de ação e perseguição policial. Até mesmo no romance dos dois, embora não tão batido, isso não surpreende nem um pouco. A tensão mesmo só quanto ao último assalto da gangue, fora isso, um roteiro bem monótono. Digo que o trailler é muito mais interessante do que o próprio filme. Ben, que me perdoe, embora uma direção normal, o roteiro é, extremamente, previsível.
  "The Town", produzido em 2010, tem direção de Ben Affleck, roteiro de Ben Affleck, Peter Craig e Aaron Stockard, baseado na novela "Prince of Thieves" de Chuck Hogan, música de David Buckley e Harry Gregson-Williams, fotografia de Robert Elwist, direção de arte de Peter Borck e figurinos de Susan Matheson, com duração aproximada de 120 minutos, incluindo os créditos finais.

Texto: Ricardo Montalvão

Referências:

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

L'amore nei vari atti.


  O filme de hoje, concorre ao Oscar 2011 na categoria Melhor Figurino. Chama-se "Io Sono L'amore", ou se preferir "Eu Sou o Amor", em português, com direção de Luca Guadagnino.
  Narra-se a aqui a estória da família Recchi, cujo patriarca decidi deixar a empresa nas mãos do seu filho Tancredi Recchi (Pippo Delbono) e para um dos seus netos, o Edoardo Recchi (Flavio Parenti), carinhosamente chamado de Edo. Nesse meio tempo, Edoardo resolve abrir um restaurante, com seu amigo Antonio Biscaglia (Edoardo Gabbriellini), pegando o dinheiro de sua parte na empresa. Até aí tudo ia muito bem, até que Emma Recchi (Tilda Swinton), mãe de Edo, se envolve amorosamente com o melhor amigo de seu filho. Pronto! A confusão está armada dentro de umas das famílias mais tradicionais e ricas de Milão, Itália. No entanto, como se não bastasse esse escândalo, Elizabetta Recchi (Alba Rohrwacher), filha do casal, resolve assumir sua homossexualidade e começa um romance com uma jovem de Sanremo.
  O filme concorre ao Oscar 2011 de Melhor Figurino e foi indicado ao Globo de Ouro 2011 na categoria Melhor Filme em Língua não Inglesa, como também nessa mesma categoria concorreu ao BAFTA 2011 (British Academy of Film and Television Arts). Por enquanto, não ganhou nenhum prêmio que disputou até então.
  Tilda é, sem dúvida, quem se destaca em todo filme. Sua personagem é uma esposa, recatada, tradicional, meio indecisa, aparentemente forte, que entra em choque ao ser apresenta a Antonio. Com esse fogo de paixão, que se transformará em um forte e devastador amor, ela começa um caso extra-conjugal com o rapaz. Entre delírios sexuais presos e a concretização desse romance, faz Emma viver em constante medo e tensão ems er descoberta pelo seu filho Edoardo, melhor amigo de Antonio. Sua personagem é russa, mas ao conhecer Tancredi, muda-se para Itália e não retorna mais à sua terra natal. O domínio dos idiomas italiano e russo por parte de Tilda, é excelente. Palmas para o domínio das línguas que essa bela atriz, do Reino Unido, tem.
  Edoardo é o filho mais enfático dos três irmãos, tanto que recebe metade da empresa de seu avô em suas mãos para governá-la junto ao seu pai. No entanto, a "praia" dele é gastronomia e montar o seu restaurante em parceria com o seu melhor amigo, Antonio. Entre descobertas dos indícios deixados pelo casal que se esconde, a descoberta por parte de Edo, da traição de sua mãe, será crucial para a vida do jovem, fazendo com que desgraças aconteçam a essa família.
  Antonio, um jovem longe de ser rico como os Recchi, é amigo de Edo há alguns anos e como cozinheiro nato e eficiente, batalha com sue amigo para a abertura do restaurante dos dois. Se envolve com a mãe do amigo e com isso, passa também a viver a tensão de ser pego em flagrante com Emma. Ele e Kitesh, apelido russo carinho da personagem de Tilda, são descobertos por uma tremenda falha de atenção que Biscaglia teve ao preparar a sopa preferida de Edo, que Emma fazia quando seu filho era pequeno, em um importante jantar de negócios para a empresa Recchi.
  Figurinos com belos cortes e ajustes, cores importantes e fundamentais para que sejam desvendadas, com o desenrolar do roteiro, às personalidades de cada personagem e nos faça entender o sentido de seus atos, a indicação a Melhor Figurino, é no mínimo, satisfatória. Porém, como vem ocorrendo nos anos anteriores, a preferência pela categoria é para filmes de época, portanto, diria que ele tem poucas chances de levar a estatueta para casa. Afinal de contas seus concorrentes são "O Discurso do Rei" e "Bravura Indômita", filmes de época, que os fazem ter chances de levar o prêmio, porém há de se prestar atenção no outro concorrente, diria que talvez o mais forte deles, que é o filme "Alicie no País das Maravilhas", de Tim Burton. Embora não condiga com a tradição dos anos passados, Burtom, com sua equipe de figurino, fizeram belos trajes com tamanha alma inusitada, que diria sim, ao menos para mim, ser o favorito na categoria. Entretanto que fique bem claro, que o último concorrente, não foi citado, por não ter sido visto.
  Com atuações bastante naturalista, "I Am Love", nome dado em inglês, é sim um filme a ser apreciado com gosto e apreço. Sua fotografia, direção de arte e trilha sonora, arrancam boas emoções catárticas de quem o assiste.
  "Io Sono L'Amore", produzido em 2009, tem direção de Luca Guadagnino, roteiro de Luca Guadagnin, Barbara Alberti, Ivan Cotroneo e Walter Fasano, fotografia de Yorick Le Saux, trilha sonora de John Adams, figurinos de Antonella Cannarozzi, direção de arte de Monica Sironi, com duração aproximada de 120 minutos, incluindo os créditos finais.

Texto: Ricardo Montalvão

Referências:

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

"Tinha uma pedra no meio do caminho"


  E o filme da vez é "127 Hours", ou "127 Horas", do diretor Danny Boyle, o mesmo do filme ganhador do Oscar de Melhor Filme em 2009, "Slumdog Milionaire".
  Se você achou que "Black Swan" tinha cenas 'intragáveis' de auto mutilação e, portanto, saiu do cinema com o estômago revirado, então sugiro que quando for assistir "127 Horas" leve um saquinho para vômito ou, no máximo, um bom remédio para enjôo. O filme é recheado de cenas fortes, que vale a pena lembrar aquela conhecida frase "Proibido para maiores de 65 anos ou para quem tem problemas cardíacos". Mas se você estiver a fim de encarar esse "show de bizarrisse" à parte, esteja a vontade em deliciar esse Thriller com alto nível de tensão e estresse.
  O filme é uma adaptação do livro homônimo escrito pelo próprio Aron Ralston (James Franco), que ao escalar o John Blue, nas montanhas de Utah, nos Estados Unidos, sem avisar a nenhum conhecido, acaba sofrendo um acidente e tendo seu braço direito esmagado por uma pedra. Foram exatas 127 horas, 5 dias e 7 horas, entre sede, fome, alucinações, chuva, sol, poeira, torniquetes, entre outras coisas, que são narradas no livro e foram traduzidas, semioticamente falando, para as telas do cinema.
  A princípio mais um roteiro em que mostra até que ponto vão os limites do corpo humano e de como superá-los. No entanto, roteiro à parte, o que faz desse filme um espetáculo durante seus 93 minutos, é a trilha sonora, juntamente com a fotografia e direção de arte. Os enquadramentos em primeiro plano, que retratam situações que, normalmente, jamais passariam em nossas cabeças, mas que passam nas de quem está entre a vida e a morte e que um leve fechar de pálpebras, pode significar o seu ultimo suspiro, são fantásticos em sua velocidade de video clipe. Os takes internos que mostram Aron bebendo água, sua urina e até mesmo seu sangue, ele comendo suas lentes de contato, o interior de suas veias, a parte interna do braço, no momento em que detecta a que distância entre a epiderme e o osso, o acelerar do cabeçote da câmera, o simples registro de uma formiga a caminhar pela terra ou por ele; o interior da garrafa de água e do cano de sua sacola térmica e a sequencia final de sua angústia, são verdadeiras obras de arte de pura apreciação, como também, de pura repulsa. É um misto de ansiedade pela liberdade dele, e ao mesmo tempo uma tremenda agonia quanto às cenas mais pormenorizadas que mostram como o tempo passa len-ta-men-te para quem está naquilo. Seja para o próprio Ralston, ou para quem assiste o filme. Temos então aí, uma boa direção, que em parceria com sua equipe de produção, edição, som, mixagem de som, montagem e por aí vai, criaram um filme eletrizante! Ah! Não posso esquecer também dos diversos enquadramentos que retratam toda a caminhada de Franco até o local fatídico, mas, principalmente, os que mostram suas alucinações e instantes que ele passa preso na pedra. São, como já disse antes, verdadeiras obras de apreciação.
  A película mostra também os momentos de alucinação que Aron passa, e compara o ápice do seu limite de paciência e esperança, incluindo o tempo que falta para o desfecho do filme, com o descarregar da bateria de sua filmadora. Ele alucina o seu passado, o seu futuro e o seu presente. Vê seus familiares em diversas épocas de sua vida, como também de seus colegas de trabalho e a mulher que amava. Desculpa-se, ilustrativamente, por não poder comparecer a eventos que ocorrerão, já que pressupõe sua morte, no entanto é assim que ele arranja forças para continuar sua luta. São sequencias de cenas, que bem montadas e editadas, em vários planos e com angulações diversas, traduziram visualmente, o que o psicológico de Ralston teria passado pelo que deve ser narrado no livro, como fazem o mesmo para quem assiste esses momentos. A partir de suas alucinações iniciais, ele chega ao que eu diria ser a mais caótica. Deduz que a pedra, que prendera seu braço, o aguardava naquele local por toda a sua vida e que todos os seus atos egoístas, que cometera até então, têm sua justificativa por causa daquele objeto, que estaria pondo sua vida em risco. Uma espécie de loucura compreensível para quem está vivendo aquilo. Contudo, vale ressaltar que a sucessão de cenas finais da fenda em que a personagem real de Franco se encontra, acaba sendo, exageradamente, sensacionalista e apelativa. Não é a toa que o diretor Boyle, teve que se desculpar, em publico, aos muitos que passaram mal assistindo ao filme, tendo alguns que inclusive, deram entrada em hospitais, pelas cenas bem fortes que viram. Tudo bem que no livro, os fatos tenham sido narrados com extrema delicadeza e requintes de frieza, mas quem assiste não é obrigado há passar vários minutos vendo uma mesma coisa narrada, filmograficamente falando, de maneira cruel. Por mais que muitos digam não ser para tanto, haver desmaios e adjacências.
  A atuação de James Franco está ótima. Ele, com certeza, deve transparecer mesmo cada segundo de aflição e tensão que o verdadeiro Aron Ralston passou durante aquelas 127 horas preso pelo braço em uma rocha que deslizou por cima dele. As indicações que recebeu por Melhor Ator, no Oscar de 2011, e a de Melhor Ator de Drama, no Globo de Ouro 2011, são mais do que justas. Ele realmente merece esse reconhecimento por seu trabalho. Afinal, é ele quem leva todo filme em suas costas. A crítica especializada afirma ainda que, James Franco interpretou bem melhor Aron Ralston do que o próprio. Uma salva de palmas para ele, meus caros e queridos leitores! Obrigado!
  "127 Hours" recebeu seis indicações ao Oscar 2011, que foram as de Melhor Filme, Melhor Ator, Melhor Canção Original, Melhor Trilha Sonora e Melhor Montagem. Recebeu 3 indicações ao Globo de Ouro 2011, que foram de Melhor Ator de Drama, Melhor Roteiro e Melhor Trilha Sonora. E foi indicado a Melhor Filme, Melhor Diretor e Melhor Ator no Film Independet Spirit Awards (FISA), que terá sua premiação na véspera do Oscar, dia 26 de fevereiro de 2011. Segundo, mais uma vez, os críticos profissionais, o filme é bastante impactante, com os diversos "cacos" problemáticos típicos da direção de Boyle, e, portanto, não deve ser levado em consideração como um forte candidato às preimações que teve. Tanto que, tirando o Oscar e o Fisa, nas do Globo de Ouro, premiação que é boa, zero!
  "127 Horas", produzido em 2010, com direção de Danny Boyle, roteiro adaptado por Danny Boyle e Simon Beaufoy, baseado no livro homônimo de Aron Ralston, com fotografia de Enrique Chediak e Anthony Dod Mantle, direção de arte de Christopher R. DeMuri, música de A.R. Rahman, figurino de Suttirat Larlarb, edição de John Harris, tem duração aproximada de 93 minutos, incluindo os créditos finais.

Texto: Ricardo Montalvão

Referências:

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Blue Valentine?


  O filme de hoje é "Blue Valentine", ou "Namorados para Sempre" em português, com direção de Derek Cianfrance.
  "Namorados para Sempre" conta a estória de Cindy (Michelle Williams) e Dean (Ryan Gosling), um casal que vivendo uma enorme crise conjugal, afetando até a convivência de ambos com a pequena filha Frankie (Faith Wladka). Frankie é levada para a casa do avô, enquanto seus pais tentam se reconciliar. Eles chegam até ir a um motel para passarem uma noite romântica juntos, mas as horas passam e ocorrem uma sucessão de fiascos quanto à se acertarem.
  "Blue Valentine" concorre ao Oscar 2011 na categoria de Melhor Atriz, com Michelle Williams. Indicado ao Globo de Ouro de 2011 nas categorias Melhor Ator de Drama e Melhor Atriz de Drama. Rendeu também indicações no Film Independent Spirit Awards (FISA) na categoria Melhor Atriz, como também indicações como Melhor Filme, Melhor Atriz e Melhor Ator de Drama no Satellite Awards e Melhor Diretor para o Grande Prêmio do Júri no Festival de Sundance. Como se pode ver, o filme é recheado de indicações, mas prêmio que é bom  mesmo, nenhum.
  É um filme com roteiro água com açúcar, em que discute uma estória bastante batida em películas desse tipo. Um casal que sempre se amou perdidamente, entra em crise conjugal e juntos resolvem dar mais uma chance ao casamento. Em algumas estórias, o amor é redescoberto e em outras, é cada um para o seu lado, tchau e benção. Portanto, não temos muito o que falar sobre ele. Fotografia, direção de arte e trilha sonora, normais e básicas. Sem muita apelação artística e semiológica no filme. Só mesmo a sequencia de cenas em que ambos estão no motel, cujo quarto escolhido para a noite de reconciliação foi o "Quarto Futurista", e que portanto, a fotografia passa a ser na cor azul. Quem tiver interesse em saber o significado que essa cor causa nos seres humanos, é só visitarem a postagem A Gagueira do Rei, sobre o filme "O Discurso do Rei".
  A atuação de Williams, é nada mais e nada menos do que algo completamente normal e sem muitas surpresas. Na verdade diria que não há surpresa alguma, e, sinceramente, não entendo do porque de tantas indicações em diversos prêmios para ela como Melhor Atriz. Acho estranho sim, na mais famosa premiação do cinema mundial, o ator Ryan Gosling não receber indicação para Melhor Ator também. Afinal sem ele, Michelle não teria destaque nenhum no enredo. É dele os louros para a cena mais tumultuada de toda a estória. É ele sim, que cumpre sua designação muito bem, não só na cena em que discute com Cindy, no hospital em que ela trabalha, mas desde a primeira cena em que a pequena Frankie o acorda atrás da cachorra Megan que fugira de casa. Mais uma vez repito que sem ele, ela não seria nada no filme. Se em todas as cenas, só ele que aparecesse, e os problemas do casal, fossem apenas narrado, o filme seria excelente. Ou quem sabe então, se a atriz fosse outra, aí sim a dupla se saísse melhor.
   Uma personagem que quase não aparece, mas que acredito ter feito, no mínimo, o esperado para o seu papel, é a avó de Cindy, interpretada pela atriz Jen Jones. Jen é uma senhora, com idade bastante avançada, cadeirante, que dá excelentes conselhos à Cindy e meio que, guia a vida da neta. A identificação entre as duas atrizes é tão sincera, que chega até emocionar, de alguma forma, a quem assiste o filme.
  "Blue Valentine", produzido em 2010, tem direção de Derek Cianfrance, roteiro de Derek Cianfrance, Joey Curtis e Cami Delavigne, fotografia de Andrij Parekh, direção de arte de Chris Potter, figurinos de Erin Benach, com duração aproximada de 114 minutos, incluindo os créditos finais.

Texto: Ricardo Montalvão

Referências:

O Inferno da Alma


  O filme hoje é "Winter's Bone", que em português é chamado de "Inverno da Alma", da diretora Debra Granik.
  A estória se passa na paisagem gélida das montanhas Ozark, interior do estado do Missouri, em que Ree Dolly (Jennifer Lawrence) recebe a notícia de que caso seu pai, com liberdade condicional, não compareça à audiência em que será julgado, terá a casa em que mora com sua mãe, com problemas mentais, e seus dois irmãos pequenos Sonny (Isaiah Stone) e Ashlee (Ashlee Tompson), leiloada.
  Nessa situação Ree resolve ir à caça do seu genitor. O problema é que ela não contava com a dificuldade de retirar essa informação de seus vizinhos de região. A floresta em que reside é marcada pelo alto teor machista, tendo sido ignorada e discriminada por qualquer pessoa que se dirija. Afinal mulheres só resolvem problemas de mulheres e com mulheres. Não é admitido uma mulher ir em busca de resolução para algo que é dito do ambiente masculino. Como assim? Bom, ela está a caça do pai, no entanto, os homens da região só tratariam desse assunto, caso um outro homem, como por exemplo o tio dela, o Teardrop (John Hawkes). Por ser uma mulher, jamais conseguirá informações sobre o pai.
  Só que Dolly não se contentará com essa imposição de gênero e desafiará homens e mulheres que cruzarem seu caminho, a fim de impedirem-na de encontrar seu pai, traficante de Metanfetamina, foragido da polícia. Pois a essa altura a audiência já ocorreu e ele, como era esperado, não compareceu. E é pondo à prova o machismo da região, que a figura de uma jovem de 17 anos, responsável por sua família, que toda a película se desenrola.
  "Winter's Bone" concorre a 4 categorias no Oscar 2011. As categorias são as de Melhor Filme, Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Atriz e Melhor Ator Coadjuvante. Recebeu os prêmios de Melhor Filme e Melhor Roteiro do Grande Prêmio do Júri do Festival de Sundance de 2011. Recebeu 7 indicações ao Film Independet Spirit Award (FISA), considerado o "Oscar" para filmes independentes. O FISA terá sua premiação no dia 26 de fevereiro de 2011, véspera do grande prêmio do cinema mundial, e as categorias concorrentes são as de Melhor Filme, Melhor Atriz, Melhor Atriz Coadjuvante, Melhor Diretor, Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Fotografia.  E ele também foi indicado ao Globo de Ouro de 2011 na categoria Melhor Atriz de Drama.
  Jennifer Lawrence, que concorre ao Oscar de Melhor Atriz, é o centro das atenções do enredo e quem segura as pontas de um filme, aparentemente, cansativo no início. Ela denota muito bem o sofrimento, angústia, medo, preocupação, maturidade precoce, responsabilidade familiar e financeira de uma garota que teve que assumir as rédias de sua casa, após o sumiço do seu pai, já que a mãe está numa cadeira de rodas com problemas mentais. Ela nos faz, sim, mergulhar nesse universo tão confuso e dilacerador que sua personagem vive em meio ao frio nas montanhas de Ozark.
  John Hawkes concorre ao Oscar de Melhor Ator Coadjuvante e, sinceramente, não compreendi muito bem a indicação para ele. Uma personagem, que mesmo não aparecendo direto no enredo, não é responsável por cenas muito importantes que tenham valido a pena ser indicado nessa categoria. Talvez uma atuação sem muitas observações, se não fosse a cena em que Teardrop conversa com Dolly dentro da caminhonete dele, quando resolve ajudá-la a procurar o pai, e ela pergunta se ele sempre teve medo dela, tendo uma resposta afirmativa já que Ree sempre foi inteligente. Para entender o sentido da cena, só assistindo mesmo ao filme. Teardrop é o tio paterno estúpido e violento de Ree que tenta impedí-lá a qualquer custo de encontrar seu irmão, por quase todo o enredo.
  Agora a atuação que destaco no filme, e lamento não ter sido indicada ao Oscar 2011, mas que foi reconhecida no FISA, é a de Dale Dickey. Dale interpreta Merab, a personagem mais responsável pelo insucesso de Ree durante sua jornada. Merab é parente de Thump Milton (Ron "Stray Dog" Hall), o mais temido da região e que sabe o paradeiro de Jessup, pai da personagem de Jennifer. Ao chegar na casa de Thump, R. Dolly é recebida por Merab, que tenta forçá-la a esquecer seu objetivo. Como Ree não obedece e chega a ir atrás de Milton, Merab e suas irmãs dão uma surra na garota. Dickey, aparece em cerca de 3 a 4 cenas durante todo o filme, mas arranca suspiros e tensões do telespectador nas suas breves passagens.
  A fotografia do filme é quase toda em azul. Assim como em boa parte da exibição notam-se figurinos e cenários nas cores azul e laranja. No entanto percebe-se também a grande aparição do marrom e, principalmente, a cor branca, já que o frio de Ozark acaba se tornando uma personagem coadjuvante em toda a ação. Para quem estiver interessado em descobrir os sentidos psicológicos que as cores azul, branca e marrom é só acessar as postagens anteriores A Gagueira do Rei, sobre o filme "O Discurso do Rei", ou a Hole's Kidman, sobre o filme "Reencontrando a Felicidade". Lá vocês verão os diversas influências dessas cores na mente humana, como também de outras mais. Já quanto à cor laranja, temos ofensa, agressão, competição, operacionalidade, locomoção, luz, calor, perigo, aurora, raios solares, robustez, desejo, dominação, sexualidade, força, dureza, euforia, energia, advertência, tentação, intolerância a crítica.
  "Winter's Bone", produzido em 2010, é uma adaptação do livro de mesmo nome de Daniel Woodrell, tem direção de Debra Granik, roteiro adaptado de Debra Granik e Anne Rosselini, fotografia de Michael McDonought, direção de arte de Mark White, figurinos de Rebecca Hofherr, trilha sonora de Dickon Hinchliffe, com duração aproximada de 100 minutos, incluindo os créditos finais.

Texto: Ricardo Montalvão

Referências:
TETI JÚNIOR, Ricardo Falcão. Análise da iluminação, a partir do Teatro de Brecht, no filme "Dogville". SAMPAIO, José Roberto Santos. (orientação).

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Hole's Kidman.


  E o filme escolhido para hoje é "Rabbit Hole", que rendeu à Nicole Kidman a indicação ao Oscar 2011 de Melhor Atriz, em que o título em português é "Reencontrando a Felicidade" do diretor John Cameron Mitchell.
  Narra-se aqui a estória do casal Rebecca Cobertt (Nicole Kidman) e Howie Cobertt (Aaron Eckhart) que perdeu seu filho Danny (Phoenix List) há 8 meses, e por isso freqüentam um grupo de apoio, liderado por Gaby (Sandra Oh), a fim de superarem essa perda.
  Toda essa situação, o início de uma estranha amizade entre Becca e Jason (Miles Teller), assassino de Danny, Howie exigir que as lembranças do seu filho não sejam apagadas, embora continue sua rotina diária normalmente, a frigidez da personagem de Nicole, a falta de apetite sexual na relação, a necessidade de apoio emocional fora do casamento, enfim, é em uma tremenda pilha nervos à flor da pela, prestes a explodir, que esse filme se desenrola até o seu desfecho.
  Nicole, em sua brilhante carreira, recebe mais uma indicação ao Oscar de Melhor Atriz, como também recebeu a mesma indicação para filmes de drama no Globo de Ouro desse ano. Kidman, é sem dúvida, uma das minhas atrizes hollywoodianas favoritas. Além dela, só Meryl Streep. Enfim, com pouca maquiagem e sem imagens sensuais, ela dá à sua personagem Becca um tom psicológico e cruel de uma mãe que perde seu filho, perdoa o assassino dele e não comparece com seus direitos e deveres de esposa. E embora, Natalie seja favorita ao prêmio, a intérprete da senhora Cobertt, ganha enormes pontos ao seu favor na disputa. Longe de sua interpretação de Virginia Woolf, em "As Horas", personagem que lhe rendeu a vitória nessa mesma categoria no ano de 2003, pode-se ver semelhanças na interpretação, embora, como já mencionei, as personagens se diferenciem bastante em sua essência. As semelhanças ficam na carga dramática e intensidade de sentimentos que Nicole transparece em suas personagens mais sofridas. Além é claro de nos convencer de que não culpa de forma alguma o jovem Jason por ter atropelado seu pequeno filho. A amizade entre os dois é tão natural e verdadeira, que mesmo o telespectador presenciando o sofrimento do casal Cobertt e de certa forma, aprendendo a detestar quem provocou essa tragédia, Becca consegue nos convencer de que há bondade naquele jovem e, portanto, nos faz torcer para que ambos se entendam, inclusive quando Howie descobre os laços fraternos entre sua esposa e quem matou seu filho.
  Aaron, que interpretou o vilão Duas Caras no filme "Batman - O Cavaleiro das Trevas", vem nesse filme por em prova o amor de marido por sua esposa, por mais que ela o rejeite em favor da tristeza pela morte do filho de ambos. E o que faz a posição de Becca influenciar na procura por apoio, por parte de Howie, fora do seu casamento, na líder do grupo de apoio a pais que perderam seus filhos que eles frequentam, a ex-estudante de psicologia Gaby.
  Dianne Wiest, que dá vida à mãe de Becca, Nat, nos presenteia também com uma excelente atuação. Nat perdeu há 11 anos seu filho Arthur, um viciado em drogas, e vive mencionando como é viver com sua dor para que sua filha faça o mesmo. Porém, Becca não aceita comparações entre Danny e seu irmão, por terem morrido de formas diferentes. Essa encrenca com sua mãe, gera na película um terrível embate entre as duas. E a intérprete de Nat, faz com que rendam boas discussões, em que mesmo complacentes com o drama de Becca, que nos deixam também com o dela. E essa complacência por Nat, gera inclusive uma leve antipatia à senhora Cobrtt, por desrespeitar a dor da mãe em favor da sua, como se ela fosse a única mulher que pudesse sofrer com a perda de um filho.
  Destaco no filme o enquadramento em primeiro plano na cena em que Becca relembra do dia fatídico da morte de seu filho, ao perceber que Jason acabara de se formar no ensino médio e está prestes a entrar na faculdade, situações que ela jamais voltará a viver. A fotografia do filme é predominantemente em tons pálidos, com ênfase para a cor azul na cena em que Howie leva o cão Taz para passear, ato ocorrido já que ele exige que as lembranças de Danny não sejam apagadas de sua vida por causa da esposa e o momento que Rebecca resolve juntar as roupas de Danny, lavá-las para dá-las de presente para a sua irmã que está grávida. Nos figurinos vemos o predomínio também da cor azul, no entanto situações em que se vê as cores marrom, branca, amarela, rosa e preta. Nos cenários também estão presentes as mesmas cores citadas a pouco, inclusive a cor verde. Como já foi dito nesse blog, e será relembrado agora, as cores presentes na película representam passividade, mal, miséria, pessimismo, sordidez, tristeza, frigidez, desgraça, dor, temor, negação, melancolia, opressão, angustia, renúncia, intriga, conforto, alerta, orgulho, esperança, idealismo, egoísmo, inveja, ódio, à feminilidade, a amabilidade, verdade, sentido, afeto, paz, advertência, meditação, amor, fidelidade, sentimento profundo, pesar, melancolia, resistência, entre outros sentimentos. Quanto à cor verde tem-se o sentido de personalidade dualista, na figura do casal Cobertt. Seja pelo egoísmo de Becca quanto à validade de seu sofrimento, seja no desespero egocêntrico de Howie em querer viver normalemente. "O verde por se a junção do amarelo com o azul, ele representa a dualidade do ativo, pelo amarelo, com o descanso e relaxamento, do azul. Simbolicamente ele está mais interligado à natureza, portanto o temperamento dos indivíduos que o escolhe, geralmente, é melancólico e bucólico. Ele faz perceber a sinceridade, o idealismo, a confiabilidade e o altruísmo. Essa dualidade pode provocar angústias interiores, hipersensibilidade e até mesmo apatia, passividade, insegurança e, portanto, baixa auto estima devido à presença da cor azul. Porém devido à existência da amarela, o verde em doses exacerbadas denúncia egocentrismo, manipulação, e como diria a autora Irene T. Tiski-Franckowiak em seu livro “Homem, Comunicação e Cor”, muitas vezes sufocando, por amor, os amigos e familiares." (TETI JÚNIOR, 2010:19).
  "Rabbit Hole", produzido em 2010, é uma adaptação da peça de David Lindsay-Abaire, tem direção de John Cameron Mitchell, roteiro de David Lindsay-Abaire, fotografia de Frank G. DeMarco, direção de arte de Ola Maslik, trilha sonora original de Anton Sankon, figurinos de Ann Roth, com duração aproximada de 91 minutos, incluindo os créditos finais.


Texto: Ricardo Montalvão


Referências:
TETI JÚNIOR, Ricardo Falcão. Análise da iluminação, a partir do Teatro de Brecht, no filme "Dogville". SAMPAIO, José Roberto Santos. (orientação).
http://www.cinepop.com.br/filmes/reencontrando-a-felicidade.php
http://noescuroevendo.wordpress.com/2011/01/24/reencontrando-a-felicidade/
http://www.adorocinema.com/filmes/reencontrando-a-felicidade/ficha-tecnica-e-premios/
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